Vida Urbana

Suspeito de matar paraibanos na Espanha era agressivo e amedrontava a família

Parentes contaram que Janaína Santos Américo, por diversas vezes, relatou ter medo de Patrick Gouveia.



Reprodução/TV Globo
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Segundo parentes, Janaína já tinha relatado medo de Patrick

Além de ter um passado violento, o único suspeito da morte dos paraibanos na Espanha tinha atitudes agressivas que assustavam os parentes com quem convivia no país europeu. Segundo a família de Janaína Santos Américo, que foi morta junto com o marido Marcos Campos Nogueira e os dois filhos, ela já tinha relatado que tinha medo de Patrick Gouveia, de 19 anos. Áudios onde ela relata o comportamento do sobrinho do esposo já foram encaminhados à polícia espanhola.

“A gente já suspeitava, mas tinha o devido cuidado de não falar isso antes da polícia divulgar os resultados”, afirmou o primo de Janaína, Pedro Rafael. O próprio tinha dito em entrevista ao JORNAL DA PARAÍBA(veja no vídeo abaixo), na semana em que os corpos foram encontrados, que Patrick poderia ser decisivo nas investigações por ter morado com as vítimas por vários meses.

Segundo Pedro, por várias vezes Janaína se queixou de Patrick em conversas com a mãe dele, a quem era muita ligada. “Ela mostrava medo dele. Patrick tinha atitudes grosseiras, principalmente com os filhos de Janaína. Usava frases como 'joga essa criança no lixo', 'essas crianças têm que morrer'”, afirmou.

No ano de 2013, quando tinha 16 anos, Patrick Gouveia foi apreendido após esfaquear um professor em sala de aula, no Pará. Por decisão da Justiça do Estado da região Norte, ele cumpriu 45 dias de medida socioeducativa. Em março desse ano se mudou para a Europa, indo morar com a família do tio na cidade de Torrejón.

A mudança aconteceu após Patrick romper com a família no Pará. Ele vendeu o carro que tinha por menos da metade do preço e usou todo o dinheiro na viagem para tentar a carreira de jogador de futebol na Espanha. Após ficar sem dinheiro, acabou procurando o tio Marcos Nogueira, que já morava no país europeu com a mulher e os filhos há alguns anos.

“Minha mãe disse a Janaína várias vezes: 'esse menino vai fazer uma besteira, tira esse menino daí”, ressaltou Pedro Rafael, destacando a preocupação que a família tinha com as atitudes de Patrick dentro de casa. Além da agressividade, Patrick também tinha o hábito de andar seminu dentro de casa, apesar das crianças. Pedro ressaltou também que sabia que Marcos já tinha tentado se distanciar do sobrinho, mas pela questão do lado familiar, emocional, sempre teve dificuldade em efetivar isso.

Psicopata e sem apego à vida

Em uma entrevista coletiva, nesta quarta-feira (5), a Guarda Civil da Espanha classificou Patrick como um psicopata, narcisista e que não tem “apego à vida humana”. Investigadores dizem ter provas inquestionáveis de que o jovem cometeu o crime.

De acordo com as informações da polícia espanhola, o suspeito não tinha “nenhum tipo de relação com o crime organizado” e também não há pistas de que ele tenha contado com um cúmplice para cometer os assassinatos.

Segundo o ministro do interior, Jorge Fernandez Diaz, o suspeito inclusive antecipou a volta para o Brasil possivelmente para evitar ser detido. A viagem estava marcada para 16 de novembro, mas acabou acontecendo em 19 de setembro, um dia após a descoberta dos corpos. No dia 22 de setembro, um juiz determinou uma mandado de prisão e um mandado de detenção europeu e internacional contra o suspeito.

Família passou informações para os investigadores

De acordo com Pedro Rafael,  áudios enviados por Janaína para os parentes brasileiros relatando a situação da convivência com Patrick já foram entregues à polícia espanhola. O irmão gêmeo dela, George Gunter Santos Américo, está na Espanha desde a semana passada para acompanhar as investigações. Ele viajou junto com uma outra parente e tem tido contato diretamente com agentes da polícia espanhola e com federais brasileiros que estão no país.

A Superintendência da Polícia Federal na Paraíba confirmou que Patrick está no Brasil e que prestou depoimento de forma espontânea na semana passada. Mesmo não sendo investigado no Brasil, ele decidiu ceder amostras de sangue para comparar com o suposto material genético encontrado no local da chacina da família .

O advogado Eduardo de Araújo Cavalcante, que está representado o suspeito, disse que Patrick nega veementemente o crime. Ele garantiu também que o jovem não está foragido, pois a polícia tem conhecimento do endereço dele em João Pessoa.

“Nós esperamos que ele seja punido severamente. Queríamos a extradição, mas isso é impossível, então que ele seja julgado o mais rápido possível. As provas contra eles são bastantes pesadas, algumas a imprensa nem tem conhecimento”, afirmou Pedro Rafael, deixando claro que não poderia falar o que sabe sobre as provas para não comprometer a investigação, que corre em segredo de Justiça na Espanha.

Pedro Rafael adiantou, no entanto, que ao contrário do que estava sendo divulgado, material genético de Patrick foi encontrado nos corpos das vítimas e não apenas no chalé onde aconteceu o crime.