Vida Urbana

Conheça a história do aposentado que adotou Campina Grande

Cearense veio para CG construir impressoras na década de 40.



Diego Almeida
Diego Almeida
Aposentado passa o tempo limpando fitas cassetes em uma máquina que ele mesmo fez

Afonso Farias tem 102 anos e há 72 vive em Campina Grande. Campinense de coração, esse mecânico de máquinas nascido em Ipu desembarcou na Rainha da Borborema no distante ano de 1944 em busca do sonho de melhorar de vida e sustentar a família. Tinha 21 anos na época em que a cidade completava 80. Chegou com a vontade de transformar a vida e trouxe consigo o espírito progressista, tão comum em quem nasce ou escolhe viver em Campina. Veio na frente, mas logo trouxe a esposa e os quatro filhos. Logo se estabilizou e a família cresceu junto com a cidade.
 
O mecânico, com toda sua criatividade, foi responsável por produzir as primeiras máquinas impressoras da cidade. "Em 1949 eu já trabalhava no que era meu e posso dizer, com muito orgulho, que contribuí no engrandecimento desta cidade maravilhosa que é Campina Grande. Aqui eu trabalhei durante oito anos construindo máquinas impressoras de boa qualidade e uma máquina para imprimir talões de notas fiscais. Destas máquinas, eu vendi seis: uma foi pra Recife, outras para João Pessoa, Natal, Mossoró e Guarabira", lembra.
 
As lembranças do filho adotivo de Campina Grande foram eternizadas em um livro dividido em cinco capítulos em que um deles é dedicado exclusivamente à vida do aposentado e à cidade. O livro 'Um pouco da minha história', que ao mesmo tempo é um pouco da história de Campina, foi o desafio de um semianalfabeto, autodidata, em manter viva sua trajetória de contribuição para tornar a Rainha da Borborema um celeiro de geração de emprego e renda. No começo o sonho era só dele, o de conquistar seu espaço no mercado de trabalho, mas quando viu que a cidade precisava crescer, não mediu esforços para ajudar Campina a se tornar realmente grande.
 
O aposentado lembra que em 1950, foi o início da década de ouro na cidade com a produção e exportação de algodão para outras regiões do país e até para o exterior, e a contribuição dele nessa história foi garantir a agilidade na liberação da mercadoria, possível depois que seu Afonso construiu uma máquina específica para imprimir notas fiscais. A admiração do campinense adotado vem do fato de Campina ser capaz de evoluir mesmo em meio às crises e garantir a sobrevivência e bem-estar de seu povo.
 
"Por tudo isso, esta cidade sempre atraiu muitos povos vizinhos e forasteiros de lugares bem distantes. Todos vieram e cooperaram com um pouco do que sabiam. Eu sou um destes que vieram de longe. Saí há mais de mil quilômetros de distância daqui, à procura de um porto seguro. E acho que aqui encontrei, pois foi nesta cidade que a minha família se consolidou. Com a parceria da minha amada Santana [falecida esposa], construímos uma família de sete filhos, 25 netos, 28 bisnetos e um tetraneto”, recorda.