Vida Urbana

Dia Mundial da Água: pescadores do Rio Gramame dizem que peixes ainda não voltaram após vazamento de soda cáustica

Vazamento aconteceu no dia 9 de fevereiro na Estação de Tratamento da Cagepa.




Foto: Hebert Araújo/Tv Cabo Branco

Quarenta e um dias depois do vazamento de 40 mil litros de soda cáustica (hidróxido de sódio) no Rio Gramame, em João Pessoa, pescadores e moradores da comunidade ribeirinha reclamam nesta quinta-feira (22), Dia Mundial da Água, que os peixes ainda não ‘voltaram’ ao rio. “Tínhamos um ganha pão e agora infelizmente acabou, né? Estamos aqui à míngua. Não tem peixe, camarão, não tem nada e, infelizmente, nenhum órgão público faz nada”, afirma o pescador Sérgio dos Santos.

O vazamento aconteceu no dia 9 de fevereiro na Estação de Tratamento da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), localizada no município do Conde. De acordo com o órgão, foi descartada qualquer possibilidade de contaminação nas águas e, um dia após o vazamento, o ph já estava neutralizado.

rio gramame

Foto: Divulgação/Associação Agrícola dos Moradores do Sítio Engenho Velho

Sérgio e alguns moradores da comunidade próxima ao Rio Gramame, no entanto, negam as informações repassadas pela Cagepa. Cinco dias após o vazamento do material químico no rio, pescadores encontraram peixes mortos. E após 40 dias, as águas continuam vazias e a única esperança do pescador foram as chuvas. “Deu uma chuvinha, criamos esperança e fomos até o rio. Chegamos lá e passamos a rede, nem um camarão sequer apareceu”, diz Sérgio. “Alguns perguntam porque continuamos no rio, eu sempre respondo que estamos porque sobrevivemos de lá, mas a verdade mesmo é que por enquanto não tem nada que dê um sustento”, conclui.

Com o intuito de diminuir os impactos sociais causados pelo vazamento da soda cáustica, a Defesa Civil de João Pessoa juntamente com a Secretaria de Desenvolvimento Social, distribuíram, no dia 15 de fevereiro, cestas básicas para as famílias ribeirinhas que foram atingidas. Apesar da ação, Sérgio e a comunidade da região ainda aguardam uma ação para sanar os danos do vazamento. “Estamos nessa expectativa, a única coisa que temos que fazer é esperar a boa vontade deles”, diz.

 

Foto: Hebert Araújo/TV Cabo Branco

Monitoramento do Rio

Logo após o vazamento, vários órgãos iniciaram processos de coletas e análises das águas do rio para monitorar a situação. Após quase dois meses do acidente, poucos órgãos continuam fiscalizando.

De acordo com a Escola Viva Olho no Tempo (Evot), as análises por meio da instituição já foram suspensas. De acordo com o coordenador da escola, Ivanildo Santana, o rio ainda continua se recuperando, mas o potencial de pesca diminuiu bastante.

O coordenador da Defesa Civil, Noé Estrela, alegou que o órgão não realiza mais o monitoramento das águas do Gramame após o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) assumiu o processo de fiscalização.

Já a Secretaria de Meio Ambiente de João Pessoa (Semam-JP) afirma que já foram coletados materiais e que aguardam os laudos do Ibama e da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) para que, em parceria, todos possam atuar na melhoria da qualidade das águas do rio. De acordo com a assessoria de imprensa da Sudema, o órgão tem realizado ações contínuas que consistem em monitoramento das águas, educação ambiental e fiscalização do rio.

Multa

Estação de Tratamento da Cagepa, localizado no Conde.

No dia 20 de fevereiro o Ibama multou a Cagepa em R$ 12,55 milhões, devido aos impactos ambientes decorrentes do vazamento da soda cáustica. De acordo com o diretor de Operação e Manutenção da Cagepa, José Mota Victor, o órgão ainda está no prazo para recorrer da decisão e responder ao Ibama. “Estamos trabalhando na defessa intensivamente, técnicos estão preparando e na data certa entregamos tudo ao Ibama”, afirma. “Continuamos fazendo as coletas, só que como o pH da água já foi neutralizado um dia após o vazamento, então há mais necessidade de ta realizando análises diariamente”, conclui.

Audiência Pública

No dia 1 de abril de 2018, a partir das 14h, acontece uma audiência pública do Fórum de Proteção do Rio Gramame, no auditório do Ministério Público da Paraíba (MPPB), para discutir a situação do rio e tomar medidas para a volta da qualidade das águas.

De acordo com o promotor do Meio Ambiente do MPPB, José Farias, qualquer pessoa pode participar da audiência com o objetivo de discutir a situação em que se encontra o Rio Gramame.

Tentativas

O JORNAL DA PARAÍBA procurou o Ibama e até as 10h42 desta quarta-feira (21) e não obteve retorno.

O Jornal também entrou em contato com a assessoria do Ministério Público Federal (MPF), que quando procurada, informou que o procurador José Godoy estava de férias e encaminhou a demanda para o MPPB.


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