Vida Urbana

Neuróticos Anônimos: quando partilhar se torna uma saída para os problemas

Reuniões do grupo ganham participantes e podem contribuir para melhora de transtornos.



Gabriela Muniz
Gabriela Muniz
Mulheres relatam experiências positivas por participarem de reuniões do grupo Neuróticos Anônimos

“Só por hoje”. É seguindo este, que é um dos lemas do grupo Neuróticos Anônimos (NA), que a dona de casa Carla (nome fictício), de 50 anos, vive seus dias. Junto com outras dezenas de pessoas com problemas emocionais, ela participa duas vezes por semana das reuniões da irmandade em João Pessoa para compartilhar os dramas que envolvem a sua ansiedade e conhecer histórias de quem, como ela, sente as dores de conviver com um transtorno psíquico.

“A gente procura evitar o descontrole emocional”, conta. “Se a gente sabe que tem uma situação que vai trazer angústia, nervosismo ou que vai estressar muito, como brigas ou confrontos com alguém, a gente procura evitar só por hoje”, acrescenta.

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Presa pelos próprios medos, que ganharam dimensões maiores quando teve os três filhos, Carla não conseguia enxergar a si mesma antes de conhecer o NA. Segundo ela, há dois anos, os cuidados e as preocupações com a família eram tão excessivos que chegavam a sufocá-la, resultando na perda da autoestima e de suas vaidades. “Minha ansiedade costumava ser tão grande que eu só pensava coisas negativas, eu via coisas que não estavam acontecendo”, lembra.

Evangélica, Carla também credita a Deus a sua recuperação e se anima quando comenta sobre as reuniões do NA. Para ela, o melhor de poder dividir seus conflitos e dilemas internos com os demais membros é o fato de o grupo proporcionar uma atmosfera de total confiança, onde não há recriminações nem críticas.

“O grupo dá esse apoio para a gente se fortalecer, porque no momento em que eu converso com outra pessoa que tem o mesmo problema que eu, a gente se identifica, um ajuda o outro, mesmo que o crescimento seja individual”, diz, ressaltando que a disciplina de seguir corretamente os lemas e passos da irmandade, além do hábito de ir religiosamente aos encontros, vem sendo fator essencial para a melhora do seu quadro.

“Talvez você não dê muito valor, mas, ao praticar, você sente que é muito forte. Eu me sinto leve, bem, motivada a continuar”, comenta a dona de casa, que agora não se aflinge mais com as questões que a faziam perder noites de sono no passado. “Agora eu entrego totalmente para Deus. Eu deixo os meus filhos viverem e vivo a minha vida, compro alguma coisa para mim, um creme que eu gosto, uma roupa. Estou me descobrindo e muito feliz, porque vejo que eu sou importante. E eu sou importante!”.