Vida Urbana

MPT pede nova investigação criminal sobre casos de exploração sexual na Igreja da PB

Segundo procurador Eduardo Varandas, surgiram novos depoimentos sobre os crimes.





O Ministério Público do Trabalho (MPT) pediu formalmente ao Procurador Geral de Justiça da Paraíba a abertura de uma nova investigação criminal dos casos de exploração sexual envolvendo padres da Igreja Católica no estado. A informação foi divulgada, nesta terça-feira (12), pelo procurador do Trabalho Eduardo Varandas em entrevista à TV Cabo Branco. Segundo ele, o pedido é baseado nos novos depoimentos que surgiram em janeiro, após ter sido divulgado que a Arquidiocese da Paraíba foi condenada a pagar uma indenização de R$ 12 milhões por exploração sexual de menores.

A condenação da Arquidiocese da Paraíba foi revelada em uma reportagem do programa ‘Fantástico’, da Rede Globo, no dia 20 de janeiro. Segundo a denúncia, movida pelo MPT, um grupo de sacerdotes, incluindo o arcebispo emérito Dom Aldo Pagotto, explorava sexualmente coroinhas, seminaristas e flanelinhas.

Depois da divulgação, apareceram outras pessoas que disseram ter sido vítimas dos padres. Com base nisso, Eduardo Varandas entendeu que há fatos novos e, por isso, os crimes devem ser investigados.

“Independente daquelas que compareceram voluntariamente ao Ministério Público, por conta da reportagem [do Fantástico] alguns depoimentos se referem a outras vítimas, essas vítimas serão intimadas, que pode fazer referencia a outros padres, então é um outro processo investigatório. Eu acho fundamental que a questão criminal seja apurada. A punição que houve foi em face da igreja de não tomar as providências cabíveis, mas as pessoas que praticaram o ato permanecem impunes”, afirmou Eduardo Varandas.

A investigação criminal foi arquivada em novembro de 2017 pelo Ministério Público da Paraíba.O órgão considerou que os crimes já estavam prescritos, eram antigos e não podiam mais ser julgados. Com o pedido do MPT, os casos de exploração sexual envolvendo podem ser investigados novamente.

A Arquidiocese da Paraíba foi procurada pela reportagem para falar sobre o pedido do Ministério Público do Trabalho, mas ainda não se posicionou.

No começo de fevereiro, o arcebispo Dom Manoel Delson divulgou um vídeo publicado nas redes sociais, o religioso não fala diretamente sobre a multa de R$ 12 milhões que a igreja foi condenada. Ele chama as denúncias de “questões difíceis” e diz que a Arquidiocese está fazendo a parte dela com um processo interno.

“Toda igreja com muita tristeza se vê se envolvida nessa onda de denúncias e sente profundamente que padres estejam sendo denunciados nos meios de comunicação, atingindo o que nós temos de mais sagrado, que é a nossa fé”, afirmou Dom Delson.

Após a polêmica em torno da condenação em R$ 12 milhões da Arquidiocese da Paraíba por exploração sexual de menores, o arcebispo da Paraíba

No dia 6 de fevereiro, Dom Delson expediu um decreto dirigido aos clérigos da igreja com uma série de orientações para evitar casos de abuso. No documento há uma série de regras, como a proibição de padres estarem em companhia de menores e de adultos vulneráveis, desacompanhados dos seus pais ou responsáveis, na Casa Paroquial, no carro paroquial ou em outros ambientes reservados.

 


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