Vida Urbana

Mais casos de catarata na PB

Número de casos da doença saltou de 6.328 para 10.478 casos. Só nos 3 primeiros meses de 2012; a catarata pode levar à cegueira .



Francisco França
Francisco França
Procedimento cirúrgico está disponível na rede pública de saúde; paciente deve procurar uma unidade do PSF

A Paraíba registrou aumento de 65,58% no diagnóstico de catarata, no ano passado, em relação a 2010. O número saltou de 6.328 para 10.478 casos. Só nos 3 primeiros meses de 2012, a patologia já foi identificada em 1.992 pessoas. A doença, que acomete principalmente idosos a partir de 60 anos, causa opacidade aos olhos e pode levar à cegueira total. A cura só ocorre após realização de cirurgia, que está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para o representante da Sociedade Brasileira de Oftalmologia e ex-presidente da Sociedade Paraibana de Oftalmologia, Ivandemberg Veloso Lima, os números não mostram aumento de novos casos, mas, sim, a expansão do tratamento.

Ele explica que catarata é um problema que ocorre, naturalmente, na maioria das pessoas que alcançam os 60 anos de idade. É uma espécie de película criada pelo organismo para cobrir o globo ocular. A finalidade é proteger os olhos e evitar a agressão causada pela cor azul, proveniente da radiação solar, nos idosos.

Inicialmente, o corpo cria uma opacidade que barra apenas a tonalidade azul, mas, em algumas pessoas, essa proteção aumenta e inibe também a atuação de outras cores. Ela provoca embaçamento visual progressivo e pode evoluir até para a cegueira total, caso não seja iniciado o tratamento. Apesar de acometer principalmente idosos, a doença pode ser causada por outras razões, como traumatismo, diabetes e uso de alguns tipos de medicamentos.

A cura totalmente só chega após a realização de cirurgia. E é exatamente nesse ponto onde residia o problema, na Paraíba.

Segundo o médico, até 2011, havia no Estado uma grande dificuldade para os pacientes obterem a cirurgia. O motivo era questão financeira. Apesar de ser coberta pelo SUS, o governo federal não estava liberando os recursos para pagar pelas cirurgias, que são caras e inacessíveis para pacientes carentes.

“Por isso, havia muita cirurgia represada. Isso começou a melhorar a partir de 2011, quando as despesas começaram a ser pagas e os médicos passaram a fazer os procedimentos e até a salvar vidas”, conta.

De acordo com o oftalmologista, 90% dos pacientes só ficam curados, de fato, após realização de cirurgia, que é muito simples. “Ela é feita com uso de laser, sem anestesia e dura apenas 15 minutos”, explica o especialista.

O procedimento está disponível na rede pública de saúde. Para ter acesso, é necessário que o paciente procure uma unidade do Programa de Saúde na Família (PSF). Após ser analisado pela equipe do serviço, ele é encaminhado para um oftalmologista, que solicita exames e agenda a operação. “A cirurgia é segura, eficiente e rápida e permite até que as pessoas deixem de usar óculos”, detalha Ivandemberg.


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