Vida Urbana

Livro de paraibano gera demissões na Saúde

Cinco servidores ocupantes de cargos de chefia no Ministério da Saúde (MS) e no Instituto Nacional do Câncer (Inca) teriam pedido demissão após as denúncias de Roosevelt Matias de Santana.



Rizemberg Felipe
Rizemberg Felipe
Roosevelt faz críticas severas quanto ao tratamento de portadores de câncer

Nathielle Ferreira

Cinco servidores ocupantes de cargos de chefia no Ministério da Saúde (MS) e no Instituto Nacional do Câncer (Inca) teriam pedido demissão após as denúncias do construtor pessoense Roosevelt Matias de Santana, feitas através do livro “Peregrinação da Morte”. A obra foi lançada no último dia 22, no Rio de Janeiro, e já é considerada pelos críticos como uma das mais polêmicas no segmento. Em uma semana, ocorreram também lançamentos em São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre. Em João Pessoa, o livro só chegará em novembro deste ano.

Segundo Roosevelt Matias, deixaram os cargos o diretor de Políticas Estratégias do Inca, dois assessores do Ministério da Saúde e outros dois coordenadores do Programa de Prevenção ao Câncer do MS. A reportagem procurou a assessoria de imprensa do Inca e do Ministério da Saúde para comentar o assunto. Os contatos foram feitos através de e-mail e de telefone, contudo, até o fechamento dessa edição, os setores de comunicação dos dois órgãos não se pronunciaram sobre as denúncias feitas por meio do livro.

Os pedidos de demissão, de acordo com o autor, foram motivados pelas informações contidas no livro, que traz um retrato das condições de atendimento aos portadores de câncer no Brasil.

Durante cinco anos, o pessoense teria percorrido os 27 Estados do Brasil e encontrado inúmeros pacientes no hospital, sofrendo em busca de atendimento. Roosevelt Matias afirma, através do livro, que falta estrutura para identificar e tratar a doença no país. E ainda acrescenta que “essa ausência de políticas gera diagnósticos tardios e mortes precoces”.

Roosevelt faz críticas severas quanto ao tratamento de portadores de câncer. “Faltam equipamentos, medicamentos e informações sobre a doença para os pacientes. Na Paraíba, por exemplo, estimamos que 80 mil tenham câncer, mas apenas a metade sabe disso. Quando descoberto em estágio avançado, o tumor leva à morte. De cada dez portadores, seis são pobres e, destes, apenas um escapa”, declara Matias.

DENÚNCIAS
O livro de Roosevelt Matias ainda contêm denúncias contra o governo federal e acusa o Ministério da Saúde de adotar medidas que contrariam os interesses dos pacientes. Exemplo disso, segundo Matias, é a troca de medicamentos utilizados nas sessões de quimioterapia. “O MS dá prioridade ao preço e não à qualidade dos medicamentos que adquire para combater o câncer”, afirma.
Através de assessoria de imprensa, o Ministério da Saúde informou que prioriza a qualidade do atendimento a todo paciente e oferece o que há de melhor em remédios.

Nas páginas do “Peregrinação da Morte”, o autor também critica as estatísticas apresentadas pelo Inca. Ele declara que o Instituto estaria apresentando números “fantasiosos” que não condizem com a realidade.

DESVIO
A obra ainda afirma que organizações não governamentais estariam desviando parte do dinheiro doado à assistência dos portadores.

Segundo Roosevelt, algumas dessas instituições teriam sido criadas apenas para servir de base política. “Das 93 instituições criadas na Paraíba para prestar assistência aos portadores de câncer, pelos menos 43% utilizam o dinheiro das doações em interesses próprios”, afirmou. Ele teria feito essa constatação a partir de análise em balancetes das receitas e das despesas das ONGs.

A competência de investigar a atuação das ONGs paraibanas é do Ministério Público, através da Promotoria das Fundações. A reportagem do JORNAL DA PARAÍBA procurou o titular da Promotoria, Alexandre Jorge Nóbrega, para repassar as informações sobre denúncias contidas no livro. No entanto, o promotor estava a caminho de uma audiência e não pôde conceder entrevista.
 


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