Vida Urbana

Jovem do Sertão é única da Paraíba a conquistar nota mil na redação do Enem 2019

Carolina Alves sempre estudou em escola pública e afirma: “Filha de pescador também pode ser juíza”.




Foto: Arquivo Pessoal

A única paraibana a obter nota máxima da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2019 é Carolina Alves Dias, de 21 anos. Natural de Coremas, no Sertão da Paraíba, ela está entre os 53 alunos de todo o Brasil a alcançar a pontuação 1 mil pontos na prova dissertativa do Enem 2019, que teve como tema “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”.

Carolina concluiu o ensino médio há cinco anos, e durante toda a vida estudou em escola pública. Desde 2016 ela realiza as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com o objetivo de alcançar o sonho de estudar Direito em alguma universidade pública do Nordeste. Em 2019 Carolina assinou um cursinho online e intensificou os estudos para o exame, procurando sempre não desistir. 

“Estudei a vida toda em escola pública, e intensifiquei os estudos através de um cursinho online. As aulas eram diárias, e foram primordiais para o meu resultado”.

A estudante já havia escrito redações sobre cinema, mas nunca chegou a conhecer um. Em Coremas, onde mora, não há espaços destinados a exibição de filmes, no entanto, Carol teve a oportunidade de conhecer o universo audiovisual ainda na escola, em 2015, através do projeto Curta Coremas, que exibe filmes em escolas públicas do Sertão do estado e é idealizado pelo cineasta Kennel Rogis, 

Imagem: Arquivo Pessoal

Na redação do Enem 2019, ela usou a própria realidade como exemplo, referenciando o Curta Coremas e dissertando sobre as dificuldades de se possuir acesso fácil. “Nunca fui em um cinema. No nosso Brasil existe pessoas carentes, sem estabilidade financeira, e as cidades pequenas não possuem cinema. Abordei o tema considerando as pessoas que não têm acesso, assim como eu, e as pessoas ainda mais carentes”, explicou Carolina.

Após conquistar nota máxima na redação do principal exame avaliativo do país, Carolina explicou que o próximo passo é tentar conseguir uma vaga no curso de Direito em universidades públicas da Paraíba ou de outros estados do Nordeste. Para a futura advogada, o resultado positivo significa que ela pode chegar onde quiser, apesar das dificuldades.

“Não desistam dos sonhos! Acreditam no ideal corram atrás disso. Uma filha de um pescador também pode ser juíza. Realizei um sonho, estou muito feliz e agradeço a Deus e a Nossa Senhora por isso”, concluiu.

Sob supervisão de Jhonathan Oliveira*


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