Vida Urbana

João Pessoa não atinge meta de aprendizagem adequada para alunos do 5º e 9º ano

Levantamento avalia aprendizagem de alunos na idade certa do 5º e 9º ano do Ensino Fundamental.  



Francisco França
Francisco França
Números são calculados com base no desempenho dos estudantes brasileiros nas avaliações oficiais de larga escala

A capital paraibana não conseguiu atingir a meta de alunos que estão com aprendizagem adequada de Língua Portuguesa e Matemática na idade certa no 5º e no 9º ano do Ensino Fundamental. É o que mostram os dados divulgados nesta quarta-feira (18) pelo movimento Todos pela Educação. 

Em relação à Língua Portuguesa, a capital, em 2015, alcançou apenas 40,4% de alunos com capacidades na língua materna condizentes com a faixa etária, enquanto que a meta era de 46,8%. Para 2017, a meta é de R$ 53,4%, ou seja, para que a capital consiga alcançar a meta é necessário um crescimento de 13%. O mesmo aconteceu para os alunos do 9º ano do ensino fundamental: enquanto que a meta era de 36,6%, em 2015 só foi atingido 24,5%. 

Os números são calculados com base no desempenho dos estudantes brasileiros nas avaliações oficiais de larga escala (Prova Brasil e Saeb), aplicadas a esses anos escolares pelo governo federal em todo o país.

Já na disciplina de Matemática, a capital também não conseguiu atingir a meta de aprendizagem na idade certa do 5º ano do ensino fundamental. Para 2015, a meta era de 36,9%, porém a capital paraibana só atingiu 23,8% de alunos com capacidades na Matemática condizentes com sua faixa etária. Para os alunos do 9º ano do ensino fundamental, mais uma vez o desempenho da capital ficou abaixo das expectativas, só que, dessa vez, a diferença foi consideravelmente maior: a meta para 2015 era de 32,4%, porém o observado foi que somente 7,8% dos alunos têm o conhecimento adequado para a série. 

Alunos serão convocados pela Secretaria de Educação

De acordo com o diretor de gestão curricular da Secretaria de Educação de João Pessoa, Gilberto Cruz, todos os diretores das escolas municipais de João Pessoa serão convocados para que seja feita uma análise dos resultados e, em sequência, um planejamento do ano letivo já com vistas à meta de 2017. "Infelizmente, a gente lamenta, mas não é apenas uma questão de João Pessoa. Nós vemos hoje uma necessidade de uma reforma nas estruturas dos conteúdos escolares, porque os nossos currículos são atrasados e antigos, causando uma defasagem entre o que é dado na sala de aula e o que nós estamos vivenciando hoje. Com certeza esse é um dos principais motivos para esses números", afirma. 

Os dados de João Pessoa vão no sentido contrário do resto do país, ao menos no que diz respeito à Língua Portuguesa no 5º ano. Os dados mostram que 54,7% das crianças aprenderam o considerado adequado pelo movimento em língua portuguesa – percentual que supera em 9,6 pontos percentuais o anterior, de 45,1% em 2013 (a meta para 2015 era de 53,7%). Já em matemática, 42,9% dos alunos apresentaram desempenho adequado, 3,4 pontos percentuais acima da taxa da última edição, que era de 39,5%, porém também não foi atingida a meta, que era de 49,5%.

No 9º ano do Ensino Fundamental (EF), quando considerado o Brasil, houve um aumento d percentual de alunos com aprendizagem adequada, especialmente em língua portuguesa: de 28,7% para 33,9%, porém também não foi atingida a meta, que era de 49,9%. Em matemática, a situação também é preocupante: o país teve um aumento de apenas 1,8% de 2013 para 2015, passando de 16,4% das crianças com aprendizado adequado para 18,2%, enquanto que a meta era de 45,4%.

O Brasil não tem, oficialmente, uma definição clara do que deve ser aprendido em cada nível de ensino. O movimento Todos pela Educação estabelece metas para que em 2022, ano do bicentenário da independência do país, seja garantido a todas as crianças e jovens o direito à educação de qualidade. O movimento estabelece também metas intermediárias de aprendizado.
 
CG não alcança nível de aprendizado ao terminar Ensino Fundamental

Em Campina Grande, segunda maior cidade do Estado, o índice de alunos de escolas públicas que terminaram o Ensino Fundamental com nível de aprendizado considerado adequado de Língua Portuguesa e Matemática foi considerado inferior se comparado a meta projetada para o 9º ano. Em 2015 foi 8,9% para a disciplina matemática, quando a média era de 30,2%. No entanto, houve um crescimento em relação a 2013, quando foi 6,5% e a meta era 21,8%. Já em relação à Português, com ênfase em leitura, a prova apresentou uma melhora de 18,1% (2013) para 23,9% (2015) , mas continuou não alcançando a meta, que era de 27,3% (2013) e 35%, em 2015.
 
Nas avaliações para o final do primeiro ciclo do ensino fundamental, no 5º ano, só houve melhora em português, em 2015, quando o índice foi de 42,7%, superando a meta (42,4%). Em 2013, os alunos atingiram 30,4%, no entanto, a expectativa para esse ciclo era de 35,6%. Em matemática, apenas 28,1% aprenderam o que deveriam no 5º ano em 2015. Apesar de ter melhorado em relação a 2013 (22,9%), os estudantes não atigiram a meta (de 29,1% em 2013 e 37% em 2015).
 
Para 2017, a meta do 9º ano em português e matemática é, respectivamente, 49,4% e 45,6%. Já no 5º ano, a expectativa da quantidade de alunos com aprendizagem adequada será de 43,6% e 40,1% para as duas disciplinas.
 
A secretária de Educação do município, Iolanda Barbosa, disse que os índices satisfatórios de 2013 para 2015 foram resultantes de um trabalho de formação continuada de professores, que tem repercutido diretamente em sala de aula com uma didática mais atrativa. “Além disso, estamos focando nessas duas disciplinas, português e matemática, trabalhando a dificuldade que os estudantes apresentam para encontrar alternativas e superar esses entraves. Esse avanço é apenas um passo positivo, mas ainda temos muito trabalho a fazer. Queremos ir mais longe para obtermos resultados cada vez melhores”, ressaltou.
 


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