Vida Urbana

HU de João Pessoa recruta pacientes para pesquisa sobre pé diabético

Pesquisa com medicamento cubano pode reduzir amputações.




Foto: Divulgação

O Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa, iniciou o recrutamento de pacientes com úlcera diabética nos pés para participar de uma pesquisa com o uso de um medicamento cubano, o qual visa acelerar a cicatrização, contribuindo para reduzir amputações. O estudo, realizado pela Bio-Maguinhos Fiocruz, deverá envolver 304 participantes até dezembro deste ano.

Para participar da seleção, o interessado deve entrar em contato com a endocrinologista do HULW Marivânia Santos por meio do telefone (83) 99638-5610, através do qual será agendada uma avaliação com a equipe de pé diabético do HULW.

Para participar é necessário que o diagnóstico obedeça a alguns critérios como característica clínica da lesão. Também há restrições como menores de 18 anos, grávidas ou mães que estão amamentando, pessoas com doença grave no fígado ou com histórico ou suspeita de câncer, e pacientes com transtornos psiquiátricos.

“Estamos recrutando pessoas com diabetes, que possuam ferida no pé, para participar de uma pesquisa desenvolvida em parceria com Bio-Manguinhos, unidade produtora de imunobiológicos da Fiocruz (Ministério da Saúde), em que será aplicado um medicamento que pode acelerar a cicatrização da ferida”, explicou Marivânia, que é investigadora principal da pesquisa.

A médica informou que, após agendamento, o paciente será avaliado pessoalmente pela equipe e todo o projeto é explicado detalhadamente em linguagem simples. Apenas quando o paciente assina o Termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) é que se dá início ao tratamento.

Tratamento

O acompanhamento é realizado no ambulatório de Endocrinologia e na enfermaria 525, nas segundas e sextas-feiras pela manhã e nas quartas-feiras à tarde. O tratamento consiste na aplicação do produto, chamado Fcehr, dentro da úlcera, três vezes por semana, durante dois meses. Para isso, o paciente precisa se deslocar até o HU e, portanto, a preferência é para aqueles que residem em localidades mais próximas de João Pessoa.

Ao longo de oito semanas do tratamento, os pacientes recebem no máximo 24 aplicações, por três vezes a cada semana e podem ser alocados ou no grupo placebo ou no grupo de tratamento de ativo. O pé diabético é uma série de alterações que ocorrem nos portadores de diabetes não controlado.

Os participantes da pesquisa têm acompanhamento médico por até um ano e meio e recebem sapatos especiais, curativos e ajuda de custo para se deslocar ao hospital. “Os pacientes terão assistência médica completa especializada, exames laboratoriais e radiológicos, limpeza e desbridamento da úlcera e recebimento de todo o material de curativo domiciliar, muletas e calçados especiais, além de auxílio transporte e alimentação nos dias das visitas”, citou Marivânia.

Medicamento

O produto em investigação, que possui o nome comercial Heberprot, é um biofármaco com princípio ativo fator de crescimento epidérmico humano recombinante, injetável, intralesional para tratamento de úlceras de pé diabético. O medicamento é aplicado no sistema de saúde cubano desde 2007, onde sua eficácia foi comprovada e os casos de amputação foram reduzidos em mais de 80%.

“A novidade da pesquisa é que se trata de um medicamento de produção cubana, novo no Brasil, mas que tem se mostrado muito eficaz em diversos países que o utilizam, apresentando resultados bons com fechamento da úlcera, evitando assim possíveis amputações”, destaca a endocrinologista.

HU

O HULW está em quarto lugar no país em número de participantes do estudo Avaliação da Eficácia e Segurança do Fator de Crescimento Epidérmico Recombinante (Fcehr) Intralesional em participantes com úlcera de pé diabético no Brasil. Segundo último boletim da Bio-Manguinhos/FioCruz, publicado em 01 de outubro, há 13 pacientes cadastrados para a pesquisa no Hospital Universitário Lauro Wanderley.

Até o início deste mês havia apenas 109 cadastrados nos vários hospitais envolvidos. “Durante o período da seleção dos centros participantes, a Fiocruz Brasil indicou o HULW, acredito que seja por conta o potencial de recrutamento e por sermos um centro de pesquisa estruturado”, disse a endocrinologista.

No Hospital Universitário Lauro Wanderley, a equipe é composta por uma endocrinologista (investigadora principal), um médico vascular (subinvestigador), além de quatro enfermeiras, sendo duas assistentes de enfermagem, uma assistente de pesquisa e uma monitora.

 


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