Vida Urbana

'Future-se': reitora da UFPB fala em quebra de autonomia, mas não acredita em privatização

Margareth Diniz disse que medida do governo federal ainda está sendo discutida na universidade.




(Foto: Gabriel Costa/Arquivo Pessoal)

Um dia após a comunidade acadêmica realizar o funeral do ‘Future-se’, a reitora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Margareth Diniz, voltou a falar publicamente sobre o programa nesta quarta-feira (7).. Na análise dela, a iniciativa fere a autonomia universitária, mas que não vê risco de privatização das instituições.

Para a reitora da UFPB, o ponto mais controverso do ‘Future-se’ é o eixo que trata de gestão e governança. “A proposta é que uma organização possa fazer a administração ou encaminhamentos das universidades federais, esse é o [eixo] mais polêmico. A gente tem certeza que isso afeta a autonomia universitária”, afirmou Margareth em entrevista à rádio CBN João Pessoa.

Ela ressaltou que a discussão sobre a ideia do governo está caminhando na UFPB. Foram feitas quatro assembleias universitárias e um fórum vai ser convocado para debater o programa. A própria ideia do Ministério da Educação (MEC) ainda não está 100% fechada, pois foi aberta uma consulta pública, qua vai até o dia 15 de agosto. Só depois da consolidação das propostas apresentadas o ‘Future-se’ vai se transformado em Projeto de Lei e encaminhado ao Congresso Nacional.  Em julho, durante assembleia no campus de João Pessoa, Margareth chegou a dizer que a universidade diria não ao programa.

Questionada se com a possível ampliação de verbas empresarias nas universidades existe risco de privatização, a reitora da UFPB disse não acreditar.” O próprio MEC diz que não fala em pagamento de mensalidade e nós vamos trabalhara muito para continuar a universidade pública”, pontuou.

A reitora também falou sobre o corte de recursos da universidade. Margareth manteve que se não houver uma mudança de postura do governo federal a UFPB para de funcionar em setembro. “Nossa esperança é que ainda este mês o governo possa descontingenciar”, ressaltou. Ela explicou que a universidade já está fazendo corte nos gastos com terceirizados, reduzindo funcionários, como forma de economizar recursos.

Está prevista para o dia 22 de agosto uma reunião da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), em Brasília, na qual os reitores das universidades tomarão uma decisão final sobre o funcionamento.

O Future-se

O Future-se foi apresentado no dia 17 de julho a representantes de universidades públicas do país. Segundo o Ministério da Educação (MEC), o objetivo é o fortalecimento da autonomia administrativa, financeira e da gestão das universidades e institutos federais. Para isso, essas ações seriam desenvolvidas por meio de parcerias com organizações sociais.

Dividido nos eixos “Gestão, Governança e Empreendedorismo”, “Pesquisa e Inovação” e “Internacionalização”, o projeto, ainda de acordo com o MEC, não acarretará na privatização das universidades, porque continuarão a ter um orçamento anual e a adesão ao programa é voluntária. A Consulta pública do MEC sobre a iniciativa ficar no ar até as 23h59 de 15 de agosto.


Você sabia que o Jornal da Paraíba está no Facebook, Instagram, Youtube e Twitter? Siga-nos por lá. Encontrou algum erro? Entre em contato.