Vida Urbana

Feira Central de Campina Grande precisa de reformas

Mais de 3.500 comerciantes trabalham no local, que enfrenta problemas estruturais e falta de segurança. 



Divulgação: Max Silva
Divulgação: Max Silva
Feira é um emaranhado de ruas e becos que se entrelaçam formando uma grande teia

Esta semana o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) decidiu por unanimidade tornar a Feira Central de Campina Grande como Patrimônio Cultural e imaterial do Brasil. Os conselheiros que visitaram a feira recentemente ressaltaram que viram “um espetáculo de história e gentileza social, que se fazia compreender a vida de outra maneira”.

Mas, o que encantou tanto os conselheiros do Iphan ao ponto de apresentarem um despimento emocionado, levando aos demais a aprovar o tombamento desta importante área de Campina Grande? Basta fazer uma breve visita ao local e a pessoa poderá entender o porquê desta aprovação. De fato, a feira central é uma reserva artística, cultural, gastronômica e social. Não é a feira de Caruaru, como cantava Luiz Gonzaga, mas a “feira de Campina tem de tudo sim sinhô”.

A variação é grande e vai desde produtos agrícolas, como verduras, legumes, carnes, laticínios, ferramentas, calçados, grãos, materiais de construção, massas, refeições, produtos eletrônicos, flores, animais, até produtos veterinários. Tomar um cafezinho com tapioca ou mesmo comer um bode guisado com cuscuz, depois de fazer as compras é o programa de muitos clientes todos os sábados, que é o dia de maior movimentação. “A feira tem cheiro de povo. Aqui é melhor que qualquer shopping do mundo, porque o calor humano é fantástico”, disse o autônomo José Lino, que frequenta o local há mais de 30 anos.

Hoje mais de 3.500 comerciantes estão trabalhando nesse espaço. Por passar boa parte do tempo neste ambiente, muitos feirantes adotaram a feira como seu segundo lar, e os demais comerciantes como irmãos, ou mesmo amigos próximos. É só alguém precisar deixar ponto por um momento, que os vizinhos, tomam conta da banca e até fazem negócios no lugar dele, enquanto o amigo retorna. “Aqui é uma grande família, todo mundo se ajuda”, disse o feirante Antônio.

A feira é um emaranhado de ruas e becos que se entrelaçam formando uma grande teia. O local enfrenta diversos problemas estruturais como falta de condições higiênicas, acomodações adequadas para alguns vendedores, falta de espaço para estacionamento, problemas de infiltrações, de saneamento e de mobilidade.

De acordo com o presidente da Associação dos feirantes, Cícero pereira, outro problema que aflige os vendedores é a falta de segurança pública. Um movimento denominado de “SOS Feira Central”, foi organizado para cobrar do poder público uma solução para as dificuldades. “Além de chamar a atenção das autoridades e conquistar o apoio dos comerciantes, conseguimos algumas ações paliativas, como a pavimentação de algumas ruas e a reativação do posto médico”, afirmou Cícero.

A secretaria de Planejamento de Campina Grande alegou que um impasse no processo de desapropriação de alguns galpões está impedido o início da primeira etapa da obra de reforma. Tão logo seja solucionado, será dado andamento na tramitação do projeto.


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