Vida Urbana

Família morta em chacina na Espanha é sepultada

Cinzas foram enterradas em cemitério no José Américo; urnas foram colocadas dentro do mesmo caixão.



Dani Fechine/G1
Dani Fechine/G1
Após quatro meses, família paraibana é enterrada em cemitério de João Pessoa

As cinzas da família morta em uma chacina na Espanha foram sepultadas às 16h da tarde desta quinta-feira (12), no cemitério Parque das Acácias, no bairro de José Américo, em João Pessoa. As quatro urnas foram colocadas dentro de um mesmo caixão após o velório que começou às 9h. O enterro aconteceu quase quatro meses depois da descoberta dos corpos.

 
 
George Américo, irmão de Janaína, disse que o velório marca uma página que a família precisa virar.  "É o fechamento de um ciclo e abertura de um próximo", avalia, fazendo menção ao processo dos dois suspeitos de envolvimento com o crime. 
 
Já a irmã de Marcos, Jaqueline Campos Nogueira, avalia que “a ficha só caiu” com a chegada das cinzas no Brasil. “Confesso que está sendo o momento mais difícil. Enquanto estavam lá na Espanha, vivíamos como se fosse um pesadelo”, explica.
 
Wilta Diniz, tia que criou Janaína como filha, chegou ao local muito emocionada e gritando "monstro". Ela segurava um cartaz pedindo justiça. Em um determinado momento, se aproximou do caixão e acariciou as caixas com as cinzas da ‘filha’, do ‘genro’ e dos ‘netos’. 
 
As urnas com as cinzas da família foram liberadas para os familiares nesta quarta-feira (11), um dia após a chegada em João Pessoa. As urnas estavam retidas no Depósito Alfandegário do Aeroporto Castro Pinto, na Grande João Pessoa, para averiguação da Receita Federal e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Foram quase quatro meses de espera desde o dia em que os corpos de Marcos Campos, Janaína Américo e seus dois filhos foram encontrados na Espanha.
 

Uma missa foi realizada nesta quarta, às 19h, na Igreja São Gonçalo, na Torre.
 
"Eles foram inteiros e estão voltando as cinzas. A dor é grande, não só da parte da minha família, mas da família também da Janaína, estão todos sofrendo, mas temos que suportar essa dor", afirmou Walfran Campos, irmão de Marcos, ressaltando que aguarda que a Justiça seja feita em relação a Marvin Henriques, outro suspeito de participação na chacina.
 
"Essa dor vai amenizar um pouco quando a Justiça no Brasil for competente como a da Espanha. É vergonhoso, é lamentável uma juíza liberar um cidadão quando se tem provas contundentes, reais, de que ele participou da morte do meu irmão", comentou. "A gente está suportando para não fazer justiça com as próprias mãos", acrescentou.
 
Abalada, a irmã de Marcos, Ana Maria Campos Nogueira, disse que ainda é difícil lidar com a perda. "É muita saudade.  A gente vir pegar uma família completa morta não é fácil, é muito difícil", mencionou.
 
Relembre o caso
 
Os corpos da família paraibana foram descobertos no dia 18 de setembro, um mês após o crime. Asautoridades foram alertadas por um vizinho ‘que percebeu o odor’ vindo da residência. As vítimas do crime foram Marcos Campos Nogueira, Janaína Santos Américo e os dois filhos pequenos do casal.
 
Inicialmente a Guarda Civil espanhola trabalhou com a possibilidade de ajuste de contas. Porém, com o avançar das investigações, descartou-se essa tese e, 15 dias após a descoberta dos corpos, o caso foi dado como encerrado. E François Patrick Nogueira Gouveia foi apontado como único suspeito, após a polícia achar material genético dele no local do crime. Patrick se entregou na Espanha e confessou ser o autor do crime.
 
Em depoimento, Patrick admitiu ter planejado o crime. Ele negou ter agido por impulso e disse que foi até a casa com o o intuito de matar todos os parentes e não apenas o tio.
 
Amigo de Patrick
 
 
Um amigo de Marvin pegou emprestado seu celular, notou uma conversa com Patrick e, quando abriu, viu as fotos dos cadáveres da família paraibana. Esse amigo de Marvin levou o celular para a Polícia Federal, que iniciou a investigação. O celular que continha as fotos está anexado ao inquérito principal. Marvin foi liberado da prisão e passou a ser monitorado com tornozeleira. Ele passou a ser réu no processo de chacina na Espanha.
 
Exame de sanidade
 
No final de dezembro, Patrick passou por um exame psiquiátrico que apontou que ele é um psicopata com risco de reincidência e um alto grau de periculosidade.
 
O exame também classifica Patrick como uma pessoa consciente do que faz, muito inteligente e com total carência de sentimentos. Segundo os psiquiatras, o jovem possui uma absoluta falta de empatia e se mostrou incapaz de se colocar no lugar das suas vítimas.
 
Os psiquiatras forenses estiveram com ele durante três sessões. O exame será uma das provas periciais para decidir a plena responsabilidade penal de Gouveia nos assassinatos. 

 


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