Vida Urbana

Família de aposentado afirma que irá processar Estado e Incor

Homem morreu após aguardar 7 meses cirurgia que seria paga com recursos do Estado. Familiares dizem, ainda, que vão processar clínica onde ele fazia hemodiálise. 



Reprodução/TV Cabo Branco
Reprodução/TV Cabo Branco
Segundo a sobrinha de João, a morte do aposentado vem impactando a família

A família de João Batista Félix, o aposentado de Bayeux que morreu após aguardar sete meses uma cirurgia de angioplastia venosa que seria paga com recursos da Secretaria Estadual de Saúde (SES) afirmou que vai processar o Governo do Estado, o Instituto Neuro Cardiovascular de Campina Grande (Incor) e a Clínica Nefrológica Nefrusa, onde o aposentado realizava hemodiálise. A informação foi passada pela sobrinha de João, Dayenne Félix.

“Depois de ver a reportagem na TV, um escritório de advocacia se interessou pelo caso e ofereceu serviço. Ainda vamos conversar com minha tia, que está um pouco debilitada, para saber como isso vai ser feito”, ressaltou Diane. “Ela está bastante inconformada. Na verdade, todos nós estamos. Não existe conforto, principalmente porque sabemos que isso aconteceu por negligência”, acrescentou.

Para Dayenne, não é apenas o hospital de Campina Grande que tem responsabilidade pela morte de João, mas o próprio Governo do Estado. “Eu acredito que o Estado quer colocar a culpa toda no hospital. Mas quando a gente procurava a secretaria, ela não queria fazer nada. As coisas só mudaram quando a gente foi para a mídia”, queixou-se. “Antes, eles diziam que não tinha nada para ser feito”.

Segundo a sobrinha de João, a morte do aposentado vem impactando a família inteira, que era muito apegada a ele. “Meu tio ligava para a gente todos os dias. Mesmo doente, fazendo hemodiálise, ele se preocupava, era muito carinhoso. Não tinha quem não gostava dele. Por isso que queremos correr atrás dos nossos direitos, porque sabemos que não vamos tê-lo de volta”, mencionou.

O que dizem o Estado e o Incor
O secretário de comunicação do Estado, Luís Tôrres, afirmou que o Governo irá tomar medidas legais contra o hospital de Campina Grande. “O Governo do Estado vai processar o Incor pela não realização da cirurgia, O Incor é que recusou se fazer”, disse em entrevista à rádio CBN.  “O Estado não vai admitir que se faça uma exploração indevida nas suas costas das responsabilidades que são divididas com aqueles que deveriam ter feito a cirurgia”, complementou.

Já o diretor do Incor, Gustavo Souto Maior, garantiu que a unidade não recebeu nenhum valor do Estado para a cirurgia. “Não existe empresa privada, ao meu conhecimento, que deixe de executar um procedimento se o procedimento está pago”, frisou em entrevista à TV Cabo Branco.

“Nós nos mobilizando internamente para tentar executar esse procedimento pelo Incor, independentemente do Governo do Estado, porque ali estava em jogo uma vida. Estava tudo orquestrado, viria um medico de Recife, mas infelizmente o quadro dele complicou no final de semana e ele teve que ir para a UTI”, finalizou.

Sem resposta
A reportagem do JORNAL DA PARAÍBA entrou em contato com a Clínica Nefrológica Nefrusa, para obter um posicionamento a respeito do atendimento a João e da ameaça de processo pela família do aposentado, contudo foi informada de que o diretor e o gerente da unidade não se encontravam no momento.


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