Vida Urbana

Estabelecimentos de João Pessoa são alvo da ação dos bandidos

Empresários denunciam que são frequentes os arrombamentos no comércio. Polícia informa que são realizadas blitzes nas áreas.



Rizemberg Felipe
Rizemberg Felipe

Comerciantes que trabalham em estabelecimentos na Rua Peregrino de Carvalho e Avenida General Osório reclamam de arrombamentos constantes na região, onde fica o Comando Geral da Polícia Militar. Um dos pontos, um restaurante por trás do Shopping Terceirão, já foi invadido oito vezes no último ano. Para evitar mais prejuízos, os empresários resolveram investir em seguranças particulares.

O empresário Antônio Carlos, proprietário de uma churrascaria na região há 30 anos, conta que a situação sempre foi assim. “Antigamente eu chamava a polícia, fazia BO e recuperava alguns itens roubados, mas hoje nem faço mais”, lembra. Ele teve de subir um muro ao lado do restaurante e reforçar a parte de dentro para dificultar as invasões. “Quando eles vêm, levam o que podem carregar. Já levaram botijões de gás, cervejas e talheres”, conta.

Anderson Afonso, proprietário de uma loja de móveis inaugurada há menos de um ano, conta que quase teve uma mercadoria roubada. “Eles conseguiram obstruir o portão e arrastaram um tanquinho. Só que, na hora, uma guarnição da polícia estava passando, ligou a sirene, e eles acabaram desistindo do roubo”, afirma. O empresário também lembra que é comum presenciar assaltos e furtos de celulares na rua.

Já José Carlos, gerente de uma loja de esportes localizada na esquina das duas avenidas preferiu agir por conta própria para evitar a ação dos invasores. Colocou câmeras de monitoramento, investiu em segurança particular e colocou uma proteção nas vitrines para evitar roubos durante a madrugada ou nos finais de semana. “Teve um arrombamento grande no começo do ano, mas nós conseguimos recuperar parte do material. A última tentativa aconteceu há mais ou menos um mês, mas não houve prejuízos materiais”, diz.
Em conjunto, os empresários investem em ronda motorizada para inibir os roubos. “É uma insegurança geral, e não é só aqui. É na cidade inteira”, lembra o dono de outra loja de móveis que preferiu não se identificar. Apenas no feriado de Carnaval, seu estabelecimento sofreu três arrombamentos, porém com poucos prejuízos materiais. “Eles levaram telhas do galpão e danificaram a porta, mas já consertei”, narra. Ele também reclama do vandalismo e das pichações no muro de sua loja.

POLÍCIA
A reportagem do JORNAL DA PARAÍBA entrou em contato com a Polícia Militar. Em nota, o órgão afirmou que o policiamento da área que abrange a Rua Peregrino de Carvalho e a Avenida General Osório é de responsabilidade da 5ª Companhia do 1º Batalhão.

“O Centro da cidade, e essa área específica, são atendidos, diuturnamente, pelas viaturas de Radiopatrulha responsáveis pelo respectivo Quadrante de Polícia Preventiva (QPP). Além do policiamento a pé, lançado em pontos estratégicos, como o Ponto de Cem Réis e Avenida General Osório, empregado todos os dias, temos o emprego de equipes de policiais da Força Tática e da Rotam, que reforçam o policiamento da área”, informa o órgão.

A polícia acrescenta que são realizadas blitzes em locais onde há alta incidência de crimes, medida chamada Operação Nômade. “[Os locais são] definidos através de levantamento e análise estatística, que dedicam especial atenção ao período da noite e da madrugada”, relata.

 

’18 Andares’

O edifício Presidente João Pessoa, conhecido popularmente como ’18 Andares’, é considerado o primeiro condomínio vertical da capital paraibana. Na época, entre 1957 e 1962, foi construído pelo arquiteto Ulisses Burlamaqui sob padrões de arquitetura inovadores para a época. Cada apartamento é vazado na frente e nos fundos e conta com varandas com cerca de 20 metros quadrados. A ideia era proporcionar aos moradores a melhor vista de João Pessoa.
O edifício conta com 48 apartamentos, sendo 4 por andar. Nos primeiros pavimentos, funcionava a Previdência Social – incluindo um bloco cerâmico vazado na lateral –, mas atualmente estão abandonados. No dia 21 de março, o Ministério Público solicitou providências a respeito do abandono dos andares inferiores. O local já sofreu tentativas de ocupação por vândalos e moradores de rua, o que preocupou os comerciantes em relação a uma possível escalada da violência na região. A área está em reformas e deve ser leiloada.


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