Vida Urbana

Dia dos Pais: eles contam os desafios para não ter 'casa de ferreiro' com os filhos

Na correria diária, o desafio é equacionar os cuidados profissionais com a paternidade.




Tem um dito popular que diz “casa de ferreiro, espeto de pau”. Ele geralmente é usado quando se quer dizer que uma pessoa hábil em determinada coisa, não usa essa habilidade a seu favor. Esta máxima, que pode ser aplicada a diversas situações, é também sentida na pele por muitos pais, seja de qual profissão for, quando o assunto é o cuidado reforçado com o filho, sobretudo na área em que atuam.

A tensão em não alcançar os objetivos sonhados quando os pequenos ainda estavam no ventre materno é algo que amedronta mais pais do que se imagina quando eles passam a caminhar por conta própria. Na correria diária entre a rotina de trabalho e os cuidados com os filhos, entretanto, muitos profissionais têm se desdobrado para dar conta do recado.

Neste domingo (11), data em que se comemora o Dia dos Pais, o Jornal da Paraíba conversou com profissionais que tem sido vigilantes nesse quesito e contam a fórmula para tentar equacionar a vida profissional com a paternidade participativa.

 

Momentos qualificados

 

Para o psicólogo e professor Luís Augusto Mendes, o mundo ideal sempre vai ser passar a maior parte do tempo livre junto com o filho, para que juntos eles colecionem memórias afetivas. Quando não for possível tanto quanto se gostaria, que estes momentos sejam marcantes e impactantes para auxiliar no desenvolvimento pessoal do filho.

Pai de Lucas, de 6 anos, o psicólogo conta que gosta de contar as suas histórias, sobretudo as que viveu com seu pai, que já morreu, para dar lições de vida ao pequeno. “Com isso, meu filho vai percebendo que eu também tive medo, errei, e fui ensinado e amado, tantas vezes. Assim vamos criando uma relação de afeto e parceira”, afirma.

Luís diz que a sua profissão como professor e psicólogo muitas vezes reduz a quantidade do tempo juntos, “mas aí entra a necessidade de se investir na qualidade do tempo. Decidi me esforçar para estar com ele em momentos cotidianos, mas importantes, como pegar na escola, montar brinquedos, fazer pelo menos uma refeição juntos e assim construir memórias e afetos”, completa.

Apesar de não poder auxiliar clinicamente o filho, em caso de necessidade, o psicólogo afirma que sempre dá um jeito de ajudá-lo, para que ele cresça uma criança segura e feliz. “Quando ele diz ‘pai, eu não sei fazer isso’ eu pergunto se ele sabia andar de bicicleta sem as rodinhas já no primeiro dia, e ele responde que ‘não’, mas lembra que depois de dedicação, esforço e parceria, os desafios podem ser vencidos”, exemplifica.

O psicólogo Luís Mendes diz que tenta orientar o filho através da vivência, por ele não pode ser seu cliente. Foto: arquivo pessoal

 

“Paidiatra”

 

Quando se trata do acompanhamento da saúde dos filhos, o pediatra Leonardo Cabral Cavalcanti, conta que é bem difícil controlar a razão e a emoção. Pai de dois – Leozinho, de 15 anos, e Sofia, de 8 anos -, Leonardo Cabral disse que procura desenvolver uma mescla de ‘paidiatra’, para não sobrecarregar as crianças com superproteção em relação à saúde.

Leonardo Cabral lembra que apesar da serenidade atual, tudo foi mais difícil com o primeiro filho, porque no período do seu nascimento ainda estava concluindo o curso de Medicina e, portanto, não era pediatra. “Tinha sempre a dúvida se eu estava negligenciando ou superestimando as doenças”, conta, admitindo que isso é bem comum dentre os pais de seus pacientes. “A orientação que eu dou aos pais, sempre, é de não negligenciar a saúde dos pequenos por qualquer que seja a circunstância”, completa.

Apesar de ter encontrado a medida certa, o psicólogo desabafa que sofre pela vida atribulada não permitir mais tempo em comum com os filhos. “O que eu lamento, e que 95 % dos colegas também sentem, é que nossa profissão exige muito tempo fora de casa e às vezes sinto falta de ter um acompanhamento maior como pai, mas ao mesmo tempo sempre me desdobro”, conta.

Apesar dos constantes desafios, Leonarod Cabral diz que tem se dado bem na difícil empreitada. “Eu procuro sempre ir pelo caminho mais simples e acho que vem dando certo, acho que lido bem com a dissociação entre filho e paciente e faço com o maior prazer os afazeres do dia-a-dia como pai”, avalia.

O pediatra Leonardo Cabral Cavalcanti tenta mesclar seus papéis para cuidar dos filhos com a atenção dosada. Foto: arquivo pessoal

Xô, tablet

 

O educador físico André Oliveira tem uma rotina intensa de personal trainer em uma academia de João Pessoa. Então, o tempo que sobra ele conta que tenta se dedicar ao máximo ao filho, Ravi, que tem apenas três anos e uma energia interminável. Com a experiência adquirida da vida profissional, a preocupação dele é estar sempre vigilante para incutir na criança o gosto pelo esporte.

André conta que a luta diária é para adiar o vício cada vez mais comum entre as crianças, no uso de tablets, celulares ou mesmo da televisão, o que considera um grande desafio. Ele tenta combater o excesso ocupando os tempos livres dele com atividades ao ar livre. “A gente que sabe os malefícios de uma vida sedentária tem essa preocupação, mesmo sabendo que é muito difícil”, afirma.

A orientação do educador físico é a mesma que tenta implantar desde a primeira infância do filho: ocupar a criança com passeios em praças, praia, locais em que ele possa correr, brincar ao ar livre para que desperte desde cedo o gosto pela atividade física.

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Que dia mais que especial! Todos os momentos aproveitados!!

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