Vida Urbana

De pipoca no caixão a morto em rede, velórios têm situações inusitadas

Famílias muitas vezes fazem pedidos preculiares na hora de enterrar o ente querido.



Divulgação
Divulgação

O costume de prestar homenagens aos mortos remonta às origens da tradição católica; segundo a doutrina da Igreja, a alma da maior parte dos mortos está no Purgatório, passando por um processo de purificação. Por isso, os vivos deveriam rezar por eles.

O ritual do velório, por outro lado, é mais antigo do que a tradição cristã e era praticado, em sua origem, pelos povos celtas. Historiadores acreditam que o costume de vigiar o recém-falecido teve uma origem supersticiosa, por medo que o corpo fosse vilipendiado ou carregado por espíritos malignos.

Atualmente, a cerimônia é um momento de prestar homenagens e despedir-se dos entes e amigos queridos. Mas muitos velórios, entretanto, sao marcados por situações peculiares – em 2015, em João Pessoa, um homem armado invadiu um velório e atirou várias vezes contra o morto.

Muitos dos casos curiosos, entretanto, provêm de pedidos realizados pelos próprios familiares do morto. De acordo com Gilmara Nascimento, supervisora do cemitério Morada da Paz, na capital, algumas famílias fazem exigências peculiares no momento de velar o ente querido. “Procuramos levar sempre com naturalidade”, diz. Os casos mais frequentes, segundo ela, envolvem mudanças na decoração e nas roupas do falecido.

Caixão com pipoca

"Nós costumamos ornamentar o corpo com flores naturais, como girassóis e flores do campo", conta a supervisora. "Mas, no caso de um senhor que havia acabado de falecer, os parentes exigiram que o caixão fosse preenchido com pipoca", conta.

Segundo ela, o pedido foi atendido, pois não ia de encontro às normas da empresa. "Se for possível fazer e não violar as regras da empresa, nós concedemos o pedido", explica Gilmara Nascimento.

Lençol favorito

Um outro pedido inusitado veio dos parentes de uma idosa. Segundo Gilmara, eles pediram que o caixão não fosse coberto de flores, como é feito usualmente. “Trouxeram o lençol favorito da senhora e a cobriram completamente. Ela foi enterrada apenas com esse lençol”, lembra.

Velório na rede

Um dos casos mais marcantes envolveu o pedido para que o morto fosse velado e colocado na urna em uma rede. “Os familiares não queriam caixão nem nada”, conta Gilmara. “Eles queriam que a rede favorita do falecido fosse estendida e que o corpo fosse depositado nela”, diz. A equipe do cemitério explicou que não seria possível sepultar o homem em uma rede; no final, o morto foi enrolado na rede e colocado dentro do caixão. 


Você sabia que o Jornal da Paraíba está no Facebook, Instagram, Youtube e Twitter? Siga-nos por lá. Encontrou algum erro? Entre em contato.