Vida Urbana

Chacina de Pioz: Paraibano acusado de matar família na Espanha começa a ser julgado

Acusação defende pena máxima, uma espécie de prisão perpétua, para Patrick Nogueira.




Patrick Gouveia

Patrick está preso em na Espanha desde outubro de 2016 (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco).

Assassino confesso de quatro familiares na Espanha, no crime que ficou conhecido como a chacina de Pioz, o paraibano François Patrick Nogueira Gouveia começa a ser julgado nesta quarta-feira (24). O júri acontece na cidade onde ocorreu o crime e deve se estender até o dia 31 de outubro. A acusação acredita que Patrick vai ter a pena máxima permitida no país, a prisão permanente revelável, que é uma espécie de perpétua. A defesa afirma que os assassinatos foram motivados por problemas psicológicos.

Patrick Nogueira está preso na Espanha desde outubro de 2016, quando se entregou às autoridades espanholas e confessou ter matado o tio Marcos Campos Nogueira, a esposa deste, Janaína Santos Américo, e os dois filhos do casal, de 1 e 4 anos. Após os assassinatos, ele esquartejou os corpos. O crime bárbaro aconteceu em agosto de 2016, mas só foi descoberto um mês depois, por conta do mal cheiro.

“Nunca pensei em passar por isso, ver minha família passando por isso. Ninguém sabe como surgiu uma pessoa que cometeu uma barbaridade dessas com nossa família. Todos estão super abatidos. Estarei pela primeira vez com Patrick frente a frente, uma pessoa que tanto amei e cuidei, que teve capacidade de matar meu irmão”, disse Walfran Campos, irmão de Marcos e tio de Patrick, que vai ser um dos depoentes no julgamento, em entrevista ao portal G1.

A promotoria de Guadalajara pediu a prisão permanente para François Patrick Nogueira Gouveia, em março. De acordo com o pedido, que foi acompanhado pela assistência de acusação, Patrick deve ser enquadrado no artigo 140 do Código Penal do país, uma vez que matou duas pessoas com menos de dezesseis anos, seus primos de um e quatro anos. O réu ainda deveria ser enquadrado no artigo 139, que prevê uma pena de 15 a 25 anos em casos de assassinato, mas também deve responder pelas mortes do tio e da esposa no artigo 140 que prevê a prisão permanente por ter matado duas pessoas em um mesmo crime.

O primeiro dia de julgamento vai ser destinado apenas ao interrogatório de Patrick Gouveia. “Estarei diante do meu sobrinho que cometeu essa barbaridade pela primeira vez depois de ser acusado”, ponderou Walfran Campos.

O crime

De acordo com a denúncia da promotoria, o acusado foi até a casa onde a família vivia na cidade de Pioz no dia 17 de agosto de 2016 “com o propósito de acabar com a vida” de seus tios e primos, utilizando uma faca de grandes dimensões.

Conforme o processo, a tia do acusado abriu a porta da casa na presença de seus filhos e permitiu a entrada de Patrick. Em um dado momento, no qual ambos estavam na cozinha, ele a atacou de forma surpreendente e fez um corte em seu pescoço, que veio a causar sua morte.

Em seguida, o acusado foi ao encontro de seus primos, um de quatro e outro de um ano de idade, e também os degolou. Depois, com a intenção de ocultar o crime, o jovem esquartejou o corpo da sua tia e colocou as partes em sacolas plásticas, fazendo o mesmo com os corpos de seus primos, mas sem desmembrá-los, e começou a limpar o local, aguardando a chegada de seu tio.

Quando o tio entrou na residência, foi recebido pelo assassino, que esperou que ele virasse as costas para atacá-lo, desferindo várias facadas. Depois, esquartejou o corpo como fez com sua tia, com a intenção de ocultá-lo.

Patrick voltou para o Brasil após crime

O acusado chegou a vir ao Brasil, mas foi preso em 19 de outubro após se entregar na Espanha e confessar ser de fato o autor do crime. Em depoimento, ele não revelou os motivos que fizeram com que ele cometesse o assassinato, disse apenas que “sentiu uma ódio incontrolável e uma vontade de matar”.

Além de Patrick, a chacina de Pioz tem um segundo acusado: Marvin Henriques Correia. O jovem foi preso em João Pessoa após a investigação comprovar que ele conversou com Patrick e deu dicas a ele durante a chacina. Ele se tornou réu como partícipe do homicídio de Marcos Nogueira, mas está respondendo em liberdade, desde que sua prisão foi revogada .

 


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