Vida Urbana

Cadernos rasgados agora são coisa do passado para jovem

Contato mais próximo com a escola trouxe benefícios para a aluna Larissa Natielly, que antes preocupava a mãe com notas baixas e por desperdiçar os cadernos. 



Phillipe Xavier
Phillipe Xavier
Com projetos da escola em que estuda, Larissa mudou as visões de mundo e agora troca as manhãs e tardes ociosas por momentos ao lado dos colegas e professores

A jovem Larissa Natielly Amaral, de 12 anos, é segura de si e atenta a tudo o que acontece ao seu redor. Falante e carismática, ela circula pelos ambientes da Escola Municipal Rosa Figueiredo de Lima como se quisesse, ao mesmo tempo, explorá-los e apresentá-los a quem tiver disposição. Embora hoje esteja cada vez mais interessada pelos estudos e pelas atividades educacionais, ela nem sempre foi assim.

Há alguns meses, preocupada com o comportamento e as notas da filha, que estavam em queda, a mãe de Larissa chegou a procurar aos prantos a escola em busca de suporte. Foi o grito de alerta para tentar reverter a situação em que a menina se encontrava e despertar o amor dela pela aprendizagem. “Ela estava bem sapeca, saía da escola e ficava na casa da amiga, não queria saber de estudar”, relata a professora Maria do Carmo Nunes. “Larissa também tinha o hábito de rasgar os próprios cadernos. Pegava as folhas e rasgava tudo, ficava só a espiral”, continua.

Paciência e compreensão foram fundamentais. Depois de muitas conversas e orientações, os convites para Larissa participar dos projetos da escola foram aceitos. E o que antes se traduzia em desleixo, ansiedade e falta de consciência se transformou em compromisso e bom senso. A menina agora troca as manhãs e tardes ociosas por momentos ao lado dos colegas e professores. Ela ajuda a ornamentar a horta com pinturas, organiza palestras sobre meio ambiente e, não obstante, ainda encontra tempo para se envolver em ações sobre consciência negra.

Professora Maria do Carmo se diz orgulhosa por acompanhar e contribuir com crescimento dos alunos. (Foto: Phillipe Xavier)

O contato mais estreito e a mudança não passaram despercebidos pelos professores. “Larissa hoje é uma maravilha, me orgulho dela de forma tremenda”, menciona Maria do Carmo. “É uma menina que precisava desse acolhimento. Agora ela é atuante, participa de tudo e, diferente de antes, quando rasgava os cadernos, tem noção de que isso não é correto, de que as folhinhas vieram das árvores e existe todo um processo por trás”.

Com respostas na ponta da língua, Larissa é direta quando questionada sobre a importância da educação. “A escola é a base de tudo, é o que ajuda a sociedade e onde as pessoas melhoram”, acredita, fazendo questão de destacar que tem como desejo contribuir para disseminar essa ideia. “Quero ser professora de geografia ou de historia e trabalhar para mudar a realidade dos alunos, incentivá-los a serem pessoas melhores”. 

Embelezar a horta com pinturas é uma das missões de Larissa e da colega Layssa Mariane dentro do projeto. (Foto: Phillipe Xavier)


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