Aniversário de João Pessoa

Aniversário de João Pessoa: símbolos da riqueza no século passado

Houve um tempo em João Pessoa, em  que os ricos andavam de branco e moravam em casas com eira, beira e tribeira.



Francisco França
Francisco França
A rua João Machado, no Centro, ainda guarda relíquias de um tempo em que as casas dos ricos era construções monumentais

“Fulano não tem eira nem beira”. A expressão popular usada atualmente para dizer que determinada pessoa tem pouco dinheiro, ou ‘não tem onde cair morta’, tinha outro significado no início do século passado. Na área do Centro Histórico de João Pessoa, ainda é possível encontrar casarões com esse tipo de construção, que denunciava as posses do proprietário. Na série de reportagens sobre o aniversário de 430 anos de João Pessoa, o JORNAL DA PARAÍBA relembra alguns símbolos de riqueza para a população pessoense no século passado.

Uma casa construída com três telhados (eira, beira e tribeira) pertencia à famílias ricas; construções com apenas dois, eram da classe média; já as casas das pessoas mais simples tinham apenas uma cobertura (a tribeira). De acordo com o turismólogo e guia de turismo, Tadeu Ferreira, ainda é possível encontrar casas antigas com essa estrutura. Para os turistas, a arquitetura sempre rende uma boa história, segundo o guia.

Mas os símbolos do poderio econômico e social em João Pessoa não paravam por aí. O historiador José Octávio de Arruda Mello, autor do livro História da Paraíba: lutas e resistência, explicou que quem tinha um carro ou uma bicicleta, por exemplo, era considerado rico. “Lembro de um amigo meu que tinha uma bicicleta, uma bola de couro e uma calça de linho irlandês, e por isso era rico”, declarou.

Segundo o historiador, a cidade era muito preconceituosa e elitista, e os sintomas de condição social eram muitos visíveis. Os ricos da época se diferenciavam pela cor da roupa, branca. Já os pobres, mendigos, andavam descalços pelas ruas centrais da capital. “Quem andava sempre vestido de paletó e gravata também era um sinal que a pessoa pertencia a uma classe social mais elevada”, frisou José Octávio.

Quem trabalhava na delegacia fiscal ou no Banco do Brasil, entre as décadas de 40 a 60, também era rico, conforme os costumes da época. As cafeterias eram outro símbolo de riqueza no século passado. Apenas os de condições financeiras favoráveis frequentavam esses locais. No Ponto de Cem Réis, lembrou o historiador, havia o café mais elitizado da cidade. “Quando o café entrou em declínio, a cafeteria deu espaço a uma sorveteria, lá pelos anos 50”, afirmou. O tempo passou e os hábitos se reinventaram. Hoje os símbolos do poderio econômico são bem diferentes dos que já foram um dia.


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