Aniversário de João Pessoa

Aniversário de João Pessoa: o charme dos coretos que fizeram a história da cidade

Inaugurado em julho de 1917,  no governo de Camilo de Holanda, o coreto da Praça Venâncio Neiva é, até hoje, o mais famoso deles



Francisco França
Francisco França
O coreto da Venâncio Neiva possibilitava uma vista impressionante da cidade e do rio Sanhauá

Esquecidos pelo tempo, o charme e a história dos coretos ficaram para trás. É possível que a maioria dos pessoenses não tenha ideia da representação dos coretos na evolução de João Pessoa, que completou 430 anos de fundação. O momento de afirmação desses locais, onde eram realizados eventos importantes, aconteceu nas três primeiras décadas do século passado. Nesta reportagem, o JORNAL DA PARAÍBA relembra dois importantes coretos: o da Praça Venâncio Neiva e o da Praça da Independência.

Inaugurado em julho de 1917 no governo de Camilo de Holanda, o coreto da Praça Venâncio Neiva é, até hoje, o mais famoso deles, embora já não tenha mais a mesma destinação que antes. Esse coreto possibilitava uma vista impressionante da cidade e do rio Sanhauá, segundo explicou o historiador José Octávio. “Esse coreto é um misto de grego e renascença, possuindo algumas especificidades, como a passagem subterrânea em forma de túnel, da rua para o interior da praça”, afirmou.

O coreto construído na Praça da Independência nos anos 1920 hoje abriga uma floricultura. A construção é também um dos símbolos de expansão de João Pessoa no sentido leste. Com características neoclássicas, o coreto da Praça da Independência era onde se concentravam as autoridades quando aconteciam os desfiles em homenagem à Pátria. Em razão de sua distância do Centro, esse coreto chegou a servir também como ponto de espera do bonde.

Durante muito tempo, os coretos também serviram de ponto de encontro de casais de namorados e para meninos que esperavam, ansiosos, o momento da partida de futebol na praça. No livro ‘Os coretos no cotidiano de uma cidade’, o historiador José Octávio destaca que a característica mais comum à maioria deles “consistia na utilização do ferro, também presente aos portões e edifícios das cidades brasileiras do século XIX”.

Os coretos também se fizeram presentes em cidades do interior, alcançando o auge antes da televisão se popularizar. A mudança de comportamento da sociedade foi um fator primordial para o desaparecimento dos coretos. Antes locais de entretenimento, apresentações musicais e retretas, os coretos foram agonizando, até serem completamente abandonados. Hoje, o que resta é uma lembrança do passado.

 

 


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