Vida Urbana

Açude de Boqueirão passa quatro dias sem registrar recargas

Água que chega no reservatório está sendo usada para consumo humano e outras situações..



Artur Lira/G1PB
Artur Lira/G1PB

Treze dias após o encerramento do sistema de racionamento de água em Campina Grande, o açude Epitácio Pessoa, mais conhecido como Boqueirão, responsável pelo abastecimento na cidade e outros 18 municípios, vem registrando redução no aporte de água que chega ao reservatório. Nesse período, o manancial registrou um acréscimo de apenas 461 mil m³, passando de 34.260.470 m³ no dia 25 de agosto para 34.722.269 m³ nesta quarta-feira, 06 de setembro. Nos últimos quatro dias, segundo dados oficiais do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), o volume do açude permaneceu o mesmo, sem nenhuma recarga registrada.

Para o especialista em recursos hídricos, Isnaldo Costa, não há risco de uma redução no volume do açude de Boqueirão, mesmo sem registrar aporte hídrico. “O que entrou de água no reservatório, saiu, ou seja, está suprindo todas as demandas. Na hora que o Ministério [da Integração] aumentar vazã [da transposição] essa situação deve melhorar”, explicou.

 

De acordo com o presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), João Fernandes, essa redução não está relacionada ao fim do racionamento de água em Campina Grande, pois a Cagepa está autorizada a retirar 1,3 m³/s e está entrando 1,8 m³/s no reservatório. Ele descartou a possibilidade de haver redução no volume de Boqueirão, explicando que está prometido para esta quarta-feira (6) a reativação das bombas da Transposição que estavam paradas para manutenção. Isso elevará a vazão e terá novas recargas ao açude.

 

Ainda segundo João Fernandes, está havendo aporte hídrico, mas menor do que estava ocorrendo antes, porque aconteceu uma redução na chegada de água em Monteiro no último dia 31 de agosto, caindo de 3,5 m³/s para 2,41 m³/s e isso fez com que a vazão na entrada de Boqueirão caísse para 1,8 m³/s. “A vazão voltou a subir e hoje está chegando 3,17 m³/s em Monteiro, isso vai repercutir em Boqueirão. Hoje o consumo para abastecimento é de 1,3 m³/s, a evaporação gira em torno de 0,3 m³/s e 0,3 m³/s são de outros tipos de consumo”, afirmou.

 

Com esses dados, a média de recarga diária é de apenas 35,4 mil m³, bem diferente de quando o açude começou a receber as águas do Rio São Francisco no mês de abril. Ao longo dos meses a vazão vinda pelo canal da Transposição desaguando no Rio Paraíba em Monteiro, no Cariri paraibano, foi sendo reduzida e atualmente não ultrapassa os 3,5 m³/s, sendo que na bacia do açude de Boqueirão só está chegando apenas 2,8 m³/s.

 

MPF pede volta do racionamento

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública, com pedido de liminar, para que a Justiça Federal determine à Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) o retorno do racionamento na região de Campina Grande. O processo foi protocolado na última sexta-feira (1º).
 

A manutenção do racionamento conforme o pedido de liminar deve ser mantido até que o açude alcance a marca de 97 milhões de metros cúbicos.