Vida Urbana

"Efetivamente participaram do assassinato, sequestro e ocultação", diz promotor em julgamento de acusados de matar Vivianny Crisley

Ministério Público afirmou que réus roubaram a vítima após o crime “e foram festejar no dia seguinte”.




vivianny crisley

Promotor Márcio Gondim apresenta a acusação do Ministério Público

O Ministério Público divergiu da versão apresentada pelos acusados de matar Vivianny Crisley durante o julgamento que ocorre nesta terça-feira (15). De acordo com os promotores Márcio Gondim e Edmilson de Campos Leite Filho, os acusados Fágner das Chagas e Jobson Barbosa participaram ativamente do homicídio. “Efetivamente participaram do assassinato, sequestro e ocultação”, afirmou Gondim, em acusação que durou quase duas horas e meia. O promotor acrescentou, ainda, que após o homicídio os homens roubaram dinheiro da vítima. “Pegaram R$ 70 da vítima e foram festejar no dia seguinte”, disse.

Antes da arguição dos promotores, os réus foram ouvidos e alegaram que não tiveram participação na morte de Crisley, que teria sido assassinada apenas por Allex Aurélio, já condenado a 26 anos de prisão em regime fechado. O júri é formado por sete homens. As três mulheres que estavam convocadas para compor o júri foram recusadas pela defesa dos réus.

Vivianny Crisley tinha 28 anos quando foi vista pela última vez na noite do dia 20 de outubro de 2016, na saída de um bar na Zona Sul de João Pessoa. O júri de Fágner das Chagas e Jobson Barbosa estava marcado, juntamente com o de Allex Aurélio, para o dia 28 de fevereiro, mas foi adiado para esta quarta-feira devido à troca de defensores públicos por advogados particulares, que alegaram precisar de mais tempo para tomar conhecimento do processo.Nesta nova data, Fagner está sendo representado por três advogados: Hallyson Chaves Coelho, Filipe Augusto de Moura e Antônio Elias Firmino. E Jobson é representado por mais dois: Paulo Rodrigues da Rocha e Bruno Inácio Diniz. Os promotores que acompanham o caso são Márcio Gondim e Edmilson de Campos Leite Filho.

Acusados deturparam fatos, diz promotor

Em sua acusação, Márcio Gondim disse que os acusados tentaram desacreditar o trabalho realizado pela polícia. “Hoje o Ministério Público buscará justiça. Nenhum milímetro a mais ou a menos. Queremos justiça igual foi feita com Allex”, disse. O promotor questionou diversos pontos da defesa e apontou contradições na versão dos acusados. “De acordo com o depoimento de Allex, Jobson e Fágner foram pegar ele de carro. Já o depoimento dos dois é que o carro é de Allex e ele que foi pegá-los”, apontou.

Acusados durante o julgamento.

O promotor contestou a versão dos réus de que Vivianny teria sido morta por apenas uma pessoa, Allex Aurélio. Segundo ele, os laudos realizados na vítima apontaram lesões distintas no crânio, provocadas por chave de fenda e chave estrela, indicando que pelo menos mais uma pessoa participou diretamente do assassinato.

Gondim acrescentou, ainda, que Jobson já havia sido processado por roubo e estupro antes do crime contra Vivianny. Em depoimento, o réu mencionou apenas o processo por roubo.

Já Edmilson de Campos argumentou que a mãe de Allex disse que o filho morava, à época do crime, com Jobson. Por sua vez, Jobson havia dito que não era amigo de Alex, mas apenas de Fágner.

“MP não esta tirando coelho da cartola”

O promotor Márcio Gondim disse, ainda, que os acusados estão “tirando coelho da cartola” com a apresentação de um novo elemento na história. Segundo Fágner, Vivianny teria quebrado uma garrafa de uísque dos réus no bar em que eles se conheceram, o que teria deixado Allex furioso.

O MP mencionou também a versão, apresentada pelos réus, de que Jobson e Fágner foram torturados quando foram presos, o que justificaria a diferença nas versões contadas no início das investigações e durante o julgamento. “A pericia medica disse que os réus não apresentaram lesões. Ou seja, a pericia desmente o que eles falaram sobre a tortura”, alegou.

Família quer encerramento

Em declaração dada durante o julgamento, a mãe de Vivianny, Veranilde Viana, disse que espera que os dois réus sejam condenados. “Meu coração está palpitando muito, a dor é profunda. Estou confiante nos promotores, na juíza e jurados de que eles vão ser condenados como o Allex”, disse. “Não traz ela de volta, mas a justiça terrestre está sendo feita. Vai dar mais um alívio aos familiares”, concluiu.

Morta “porque gritou”

O corpo de Vivianny Crisley foi encontrado carbonizado no dia 7 de novembro de 2016, em uma mata no município de Bayeux. De acordo com declarações do trio acusado de matar a jovem, a vítima foi assassinada “porque gritou”. Allex Aurélio foi condenado a 26 anos de prisão em regime fechado no presídio PB-01, no dia 28 de fevereiro. O julgamento aconteceu no Fórum de Santa Rita. A sessão que estava marcada para começar ás 13h, começou com um pouco mais de uma hora de atraso. O júri foi composto por quatro mulheres e três homens. A juíza que comandou o julgamento foi Lilian Frassinetti Cananéa.

 


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