Política


Moro diz que pode "ter errado" em decisão relacionada a Lula

Revelação foi feita na sentença expedida nesta quarta (12), condenando ex-presidente. 




O juiz Sérgio Moro afirmou que pode "ter errado" ao divulgar áudios de conversas do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva em 2016 - em um dos arquivos, havia um telefone à presidente Dilma Rousseff. A afirmação foi feita na sentença expedida nesta quarta-feira (12), condenando Lula a 9 anos e meio de prisão.

"Ainda que, em respeito à decisão do Supremo Tribunal Federal, este julgador possa eventualmente ter errado no levantamento do sigilo, pelo menos considerando a questão da competência, a revisão de decisões judicias pelas instâncias superiores faz parte do sistema judicial de erros e acertos", ressaltou Moro.

Apesar de reconhecer um possível erro, Moro, em outros trechos da sentença, diz não ver problemas na divulgação dos áudios. Conforme ele, o Judiciário não deve ser o "guardião de segredos sombrios dos governantes" e que não foi atitude de "guerra jurídica".

Segundo Moro, outros áudios não foram divulgados. "Há muito mais diálogos interceptados além daqueles que restaram publicizados, mas que, por não serem relevantes para a investigação, foram preservados e assim permanecem até o momento em mídias arquivadas perante o juízo".

"Fosse intenção deste Juízo expor a privacidade do ex-presidente e de seus familiares, todos eles teriam sido divulgados, ou seja, centenas de diálogos adicionais, o que não foi feito", comentou.

Moro disse que parte das gravações apresentavam "tentativas de obstruir investigações e sua intenção, ao se tornar ministro de Dilma, de atuar contra a apuração com 'todo o seu poder político'".