Política


'Temer é chefe da maior organização criminosa do Brasil', diz Joesley

Empresário dono da JBS deu entrevista à revista 'Época'. Presidente afirma que vai entrar com ação na Justiça.




Beto Barata/PR
Beto Barata/PR
Temer disse que vai processar Joesley e chamou empresário de 'bandido notório'

O presidendente Michel Temer é o chefe da “pior quadrilha” e da “ maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil”. A declaração foi dada pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, em entrevista publicada na revista 'Época', que chegou às bancas neste final de semana. Esta é a primeira vez que Batista fala com a imprensa depois de ter acertado o acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República

Em um ponto da entrevista, Batista detalha a relação com o presidente Michel Temer, iniciada, segundo ele, entre 2009 e 2010, quando o peemedebista era vice-presidente.Ele disse que, no segundo encontro, Temer deu o número de seu celular e que os dois passaram a trocar mensagens.

Joesley narrou que a relação entre os dois era institucional, de um empresário que precisava resolver problemas e que via em Temer a condição de resolver problemas. Acrescentou que achava que o presidente via nele um empresário que poderia financiar as campanhas – e fazer esquemas que renderiam propina. O empresário disse que o presidente “não é um cara cerimonioso com dinheiro”.

Batista afirmou que o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha se referia a Temer como superior hierárquico.“Tudo que o Eduardo conseguia resolver sozinho, ele resolvia. Quando ficava difícil, levava para o Temer”, relatou.

Com isso, a reportagem da 'Época' perguntou se Temer era o chefe, e Joesley respondeu de forma direta. "O Temer é o chefe da Orcrim, organização criminosa da Câmara. Michel Temer, Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves, Eliseu Padilha e Moreira Franco. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles".

Joesley garantiu que a gravação feita no Palácio do Jaburu, onde Temer dá anuência para comprar o silêncio de Cunha, não foi alterada.“Podem fazer todas as perícias do mundo. Tentam desqualificar o áudio por desespero. Gravar uma pessoa não é algo trivial. É duro, doído, forte”, declarou. “Se mesmo com toda a robustez das provas nós já estamos sendo perseguidos, imagine se fosse só o meu testemunho. Se isso fica só da minha boca?”, questionou

Na entrevista, o dono do frigorífico JBS reafirma as denúncias que fez ao Ministério Público e à Polícia Federal contra as cúpulas de PT, PMDB e PSDB. Joesley diz que os esquemas de corrupção organizados começaram no governo petista. Ele diz que Lula e o PT institucionalizaram acorrupção com a criação de núcleos, divisão de tarefas entre integrantes, em estados, ministérios, fundos de pensão e bancos, entre os quais o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Perguntado por que não gravou Lula, o empresário disse que “nunca teve uma conversa não republicana com Lula”. Diz que esteve com o ex-presidente apenas duas vezes, em 2006 e em 2013. Ele afirmou que o contato era o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

A Secretaria de Comunicação da Presidência da República disse, por meio de nota, que o presidente Michel Temer que ingressará na próxima segunda com ações na Justiça contra Joesley Batista. No texto, a Presidência critica o acordo de delação premiada fechado pelo empresário e o chama de “bandido notório”.