Política


'Veja' acusa Temer de usar Abin para espionar ministro Edson Fachin

Presidente do STF, Carmén Lucia, classificou o caso como 'inadmissível'. 




Uma reportagem da revista 'Veja', acusando o presidente Michel Temer de usar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para investigar a vida do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, provocou a reação da ministra Carmén Lucia. Em nota, a presidente do Supremo classificou o caso como “inadmissível”.

“Própria das ditaduras”, diz Cármen Lúcia, “como é esta prática, contrária à vida livre de toda a pessoa, mais gravosa é ela se voltada contra a responsável atuação de um juiz, sendo absolutamente inaceitável numa República Democrática, pelo que tem de ser civicamente repelida, penalmente apurada e os responsáveis exemplarmente processados e condenados na forma da legislação vigente”.

Fachin é o responsável por homologar as delações dos executivos da JBS que resultaram no inquérito aberto na Corte contra o presidente Michel Temer. Segundo a Veja, a Abin teria sido acionada para encontrar elos entre o ministro do STF e o empresário Joesley Batista, da JBS. 

Segundo a "Veja", a investigação da Abin teria encontrado indícios de que o ministro voou no jatinho da JBS dias antes da sua sabatina no Senado, em 2015. A fonte da informação, segundo a publicação, é um auxiliar do presidente que pediu anonimato. 

Fachin, ainda segundo a revista, teria participado de um jantar sigiloso com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), em Brasília, junto com o lobista da JBS Ricardo Saud, delator na Lava Jato. Depois do encontro, seguiu para Curitiba, onde morava, no mesmo jato da JBS usado por Temer. 

Reposta 

Ainda na noite desta sexta-feira (9), a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República divulgou nota oficial negando que o presidente Michel Temer tenha acionado a Abin para investigar Fachin. O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sergio Etchegoyen, também reagiu às acusações da revista Veja. Ao Estadão, o general garantiu que isso não aconteceu. “Confio na Abin, nos profissionais da Abin e eles têm dado reiteradas mostras de seu profissionalismo", afirmou. A agência é subordinada ao gabinete do general. 

Etchegoyen disse que telefonou para a presidente do STF, Cármen Lúcia, para negar a versão da revista. "Eu não me prestaria a isso", afirmou ele, reiterando à ministra que "a diretriz do presidente Michel Temer é que a Abin é uma agência de Estado" e que "o governo tem perfeita noção da independência dos Poderes" e "eu não me prestaria a isso".