Política

Deputados que receberam doações da JBS culpam o PP

Parlamentares disseram que recebimento de recursos foi permitido por lei. 




Roberto Guedes/alpb
Roberto Guedes/alpb

Quatro dos sete deputados estaduais da Paraíba que receberam doações de campanha do Grupo JBS nas eleições de 2014 buscaram a tribuna da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) e a imprensa, na manhã desta terça-feira (23), para tentar se justificar sobre o recebimento de recursos. Os parlamentares atribuíram a Executiva Estadual do Partido Progressista (PP) a origem das doações e um deles ameaçou processar jornalistas.

O primeiro a se pronunciar sobre o tema foi João Bosco Carneiro. Ele negou o recebimento dos recursos por parte do Grupo JBS e justificou que a doação de R$ 50 mil veio do Diretório Estadual do Partido Progressista (PP), de forma lícita, já que a doação de pessoas jurídicas a partidos e candidatos nas eleições de 2014 era permitida, e que tudo foi devidamente declarado à Justiça Eleitoral.

“O comprovante de transferência eletrônica de minha conta de campanha comprova que a doação veio do Diretório Estadual do PP. Esse recurso foi oficializado como despesa legal de campanha, aprovado pelo Tribunal Regional Eleitoral. Qualquer outra veiculação dizendo o contrário é desonesta para macular a imagem dos homens de bem da Paraíba. João Bosco Carneiro Júnior não tem nenhuma satisfação a dar e nem conhece ninguém da JBS”, disse.

O deputado Edmilson Soares (PEN) também afirmou que os R$ 2 mil foram oriundos de doações do PP da Paraíba, e não do grupo JBS. “Recebi uns santinhos casados do deputado Aguinaldo Ribeiro, que depois me apresentou um recibo de R$ 2.600. Recebi um recibo do PP e coloquei na minha prestação de contas. A origem desse dinheiro quem tem que responder é o PP, não eu”, acusou.

O que é JBS?

Outro que culpou o Partido Progressista pelo recebimento de R$ 100 mil foi o deputado João Gonçalves (PSD). Segundo ele, a Executiva Estadual fez a doação em três parcelas, sendo duas no valor de R$ 25 mil e uma de R$ 50 mil. O parlamentar disse ainda desconhecer o Grupo JBS e justificou ter uma conduta honesta, de trabalhador, que começa o expediente às 6h “ouvindo a miséria do povo num gabinete sem paredes”.

“Agora se viu que a origem (da doação) foi da JBS, ora, o que é a JBS? Quem em 2014 sabia o que era isso? O dinheiro veio de um partido, absurdo é receber por fora, sabendo quem são os doadores e não declarar. Bandidos são aqueles que usufruem de erário público nas suas campanhas, sem declarar”, comentou.

Culpa da imprensa?

O deputado Caio Roberto (PR) explicou que a origem da doação de R$ 202 mil foi a Executiva Estadual do PR, que recebeu os recursos legais do Grupo JBS, transação permitida à época pela Legislação Eleitoral, devidamente comprovado no Tribunal Regional Eleitoral. “Tudo foi legal, o que não é permitido é a associação por parte de agentes políticos com empresários para promover a corrupção”, disse.

Irritado após ser citação como recebedor em vários veículos de comunicação, o deputado mirou fogo na imprensa e ameaçou processar jornalistas que vierem a fazer ilações envolvendo o seu nome e o Grupo JBS. “O que eu não posso aceitar é que alguns palhaços, na verdade travestidos de jornalistas queiram montar um circo e se promover através do cenário que vive hoje o país, da desinformação de algumas pessoas. Se essas pessoas quiserem se promover às minhas custas que, pelo menos o façam de forma corajosa. A forma como alguns jornalistas veiculam as matérias, fazendo insinuações e ilações, portanto, se for para ser mau caráter, que o façam de forma corajosa e digam o que querem insinuar, quero ver se vão aguentar processos nas costas”, afirmou.