Política

Bancada estadual da PB defende saída de Temer e eleições diretas no país

Para deputados, a governabilidade do país está prejudicada.




A bancada estadual da Paraíba se apresenta de forma unânime em defesa da saída de Michel Temer (PMDB) da Presidência da República. A maioria defendeu a realização de eleições gerais diretas no país ao comentar o tema, nesta quinta-feira (15). Os deputados estaduais alegam que a governabilidade ficou insustentável após a delação do empresário Joesley Batista, do grupo JBS, que relatou áudio de conversa em que o peemedebista aparece apoiando suposta compra do silêncio do ex-deputado federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A deputada Estela Bezerra (PSB) disse que o novo escandâlo é apenas a continuidade dos atos proporcionados pela própria classe política, culminados com o afastamento da ex-presidente da República, Dilma Rousseff (PT). A socialista defendeu a realização de eleição direta, aquela em que os mandatos políticos são eleitos diretamente pelo povo. Ela disse que o Congresso Nacional não tem idoneidade moral para definir os rumos do país.

“Devemos ter uma eleição direta para que possamos restaurar a democracia, garantindo a participação popular, redefinindo a representação política. A representação política que ai está, não nos serve. A política ainda é o grande instrumento de transformação e de garantia de direitos no nosso país, por isso, é preciso voltar para a mão da população o destino do nosso país”, comentou.

A ideia foi compartilhada pelo deputado Branco Mendes (PEN). “Temos um presidente da República em situação difícil, presidentes da Câmara e do Senado em situações dificeis, nenhum na linha de sucessão com credibilidade para assumir a governabilidade do país. Então, acho que o caminho são as eleições diretas, com o povo escolhendo quem realmente governará o Brasil”, disse.

O petista Anísio Maia foi mais contundente em seu comentário e disse que o escândalo envolvendo o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), acusado por JBS de pedir propina de R$ 2 milhões, não é novidade. “O que aconteceu com Aécio Neves e com esta gangue que está no poder já era evidente para nós. O povo brasileiro tomou conhecimento e no momento político atual não tem outra alternativa, temos que votar rapidamente no Congresso Nacional uma PEC para aprovar uma eleição direta para Presidente da República”, defendeu.

Anísio ainda defendeu a convocação de uma constituinte, sem a participação de políticos com mandato eletivo, após a escolha de um novo presidente da República. A proposta, segundo ele, é elaborar uma nova legislação eleitoral. “Após isso, convoca-se eleições gerais no Brasil. O objetivo é descontaminar a política. Em síntese, limpeza geral na política brasileira em todas as suas instâncias”, opinou.

Para Jeová Campos a saída da recessão econômica só acontecerá quando se encerrar a crise política no país. “Com esse Congresso Nacional contaminado da forma como está, fica impossível de dar saída para os problemas de hoje. A saída que precisamos é fazer eleições gerais, somos uma República e precisamos entregar ao povo o poder soberano de decidir o que fazer. Somente o eleitor poderá purificar esse ambiente de podridão na política”, opinou.

O deputado Tovar Correia Lima se possível favorável a saída do presidente Michel Temer do poder. Porém, evitou antecipar posicionamento sobre o futuro do governo. “Acredito que não tem mais espaço para Temer no Governo. Precisamos confiar nas nossas instituições, acreditar na Constituição Federal e, acima de tudo, louvar a Lava Jato. Isso sim precisa dos aplausos dos brasileiros, deixem eles agirem e vamos esperar que o Brasil tenha uma lavagem, que acredito que será muito bem feita”, disse.

O deputado Bruno Cunha Lima (PSDB) disse que enxerga o futuro do país com temerosidade. “O Brasil precisa ser passado a limpo. Esse instante em que esses fatos vieram à tona, mostra que o governo ficou numa situação insustentável. Faço um apelo, enquanto em cidadão, para que o presidente renuncie ao mandato. O país vinha dando sinais de reação, mas agora foi golpeado de forma mais incisiva, isso mostra que tivemos apenas a mudança de rostos, mas as práticas permaneceram”, disse.

Segundo ele, a saída para o Brasil seria a realização de eleição indireta, aquela em que os mandatos políticos são eleitos por um colégio eleitoral. “Mas o problema é que a classe política brasileira não tem legitimidade para enfrentar um processo de eleição indireta, e não tem legimitidade para cumprir a sua principal finalidade que é a de representar a sociedade. Devemos antecipar o processo eleitoral geral de 2018, e promover a dissolução do Congresso Nacional”, frisou.

Tucano condena Aécio Neves

Bruno Cunha Lima também não poupou o senador Aécio Neves, presidente nacional do seu partido. Segundo ele, a denúncia de corrupção envolvendo o senador mineiro revela que ele não era a melhor opção para governar o Brasil nas eleições de 2014.

“Nos damos conta de que não tinhamos opção. Seja a vitória da ex-presidente Dilma e Michel Temer ou numa possível vitória de Aécio colocaria o país exatamente no mesmo lugar. Isso é muito ruim, sinto-me livre para falar isso porque sou de uma geração que não se pode permitir o compromisso com o erro. Esse processo de limpeza não pode tornar ainda mais aguda a ojeriza da população. Apenas com o resgate de uma relação da sociedade com a política é que conseguiremos ultrapassar esse momento”, comentou.

Eleições indiretas

O deputado Raniery Paulino (PMDB) procurou tecer críticas amenas ao colega de partido Michel Temer. Segundo ele, o Governo tem pontos positivos, que merecem receber os aplausos da população e negativos, a exemplo da proposta de Reforma da Previdência em vigor no Congresso Nacional.

“O Governo tem seus pontos positivos, a exemplo da questão do (contas inativas) FGTS e merece aplausos por isso. Agora, a reforma previdenciária, eu tenho sido um crítico dela não pela necessidade, mas pela oportunidade de ter sido apresentada por um governo que ainda não tem credibilidade junto ao povo para patrociná-las. É improvável que qualquer outro partido teria, assim como o PT não teve lá atrás”, comentou.

Para Raniery, a situação envolvendo Michel Temer esfria as discussões em torno das reformas trabalhista e Previdênciária. “Eu já achava as reformas dificilmente seriam aprovadas, pela falta de apelo popular, quando o governo tinha o apoio de apenas 4% da população. A reforma trabalhista foi aprovada sem o quórum qualificado como seria a PEC da Reforma Previdência. Naturalmente elas sairão da pauta”, opinou.

Por fim, o deputado preferiu seguir um caminho diferente dos colegas e disse que o novo presidente da República deverá ser definido por eleições indiretas. “Talvez alguém que não esteja envolvido nesses problemas (de corrupção), que se apresente de forma insuspeita (possa governar o país)”, concluiu.