Política


Confusão com agentes de saúde pode levar vereadores ao Conselho de Ética

Líder do governo diz que colegas teriam incentivado tumulto na Câmara.  




Olenildo Nascimento/CMJP
Olenildo Nascimento/CMJP
Helton Renê (PC do B) afirmou que colegas foram flagrados incentivando baderna provocada pelos agentes

O tumulto provocado por agentes comunitários de Saúde e Endemias no Plenário da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP), em audiência pública realizada na última terça-feira (16), poderá culminar na abertura de processos disciplinares, no novo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Legislativo Municipal, contra vereadores que participaram do ato. A informação foi confirmada pelo líder do governo, vereador Helton Renê (PCdoB), nesta quarta-feira (17).

Segundo Helton, alguns colegas foram flagrados em imagens de vídeo incentivando a baderna provocada pelos agentes de saúde no interior da Casa de Napoleão Laureano. “O que não podemos permitir dentro da Casa do Povo, é a balburdia, porque gera a instabilidade, a insegurança e a anarquia. Até para a liberdade de expressão, temos limites impostos por lei. O respeito é uma via de mão dupla e o que presenciamos ontem aqui foi uma instigação. Insulflaram os agentes de saúde que são vítimas nesse caso, foram usados”, disse.

O líder do prefeito preferiu não citar os nomes de quem seriam os parlamentares no alvo do Conselho de Ética. Segundo ele, a direção da Casa já está analisando as imagens do tumulto, identificando todos os atores para só depois anunciar as medidas cabíveis. “Os agentes de saúde foram usados por algumas pessoas de forma pontual. Isso prejudica a própria categoria, pois, fecha oportunidades de conversação, não estamos tratando de democracia, e sim de imposição”, comentou.

Helton Renê ainda reforçou a fala do prefeito Luciano Cartaxo, que pela manhã condenou a atitude dos agentes municipais de saúde e acusou o ato promovido na Câmara Municipal de ter cunho político. “Quando alguns vereadores ligados a grupos políticos começam a insulflar e a contaminar o movimento, a coisa torna-se de cunho político partidário, é a política do quanto pior melhor, e isso não iremos permitir”, concluiu.

Não pode criticar?

O líder da oposição, vereador Bruno Farias (PPS), disse não existir motivos para acionar o Conselho de Ética e Decoro do Legislativo Municipal. Segundo eles, os agentes de saúde foram a Câmara Municipal em busca de “socorro”, pois, já tinham tentado todas as formas de diálogo com o governo municipal e não tinham conseguido.

“É preciso que as pessoas saibam o que é ferir o decoro parlamentar, em instante algum vi qualquer vereador abusar de suas prerrogativas, não vi nenhum recebendo vantagens ilícitas ou ferindo a ética, a não ser que tenham mudado o entendimento e passaram a entender que tecer crítica a Prefeitura seja ferir a ética e o decoro parlamentar”, disse o vereador, que complementou: “No dia em que o Parlamento não puder mais fazer críticas a quem dirige a cidade é melhor fechar as portas porque iremos perder a nossa razão de ser”.