Política


Protesto de grevistas da UEPB gera discussão entre deputados na ALPB

Professores e servidores cobraram diálogo com o Governo do Estado.




Ângelo Medeiros
Ângelo Medeiros

Professores e servidores técnicos-administrativos que integram o movimento paredista da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), deflagrado há cerca de um mês, além de estudantes que apoiam a greve, realizaram protesto por melhorias salariais e de condições de trabalho na instituição, na manhã desta quarta-feira (10). O ato ocorreu em frente ao Palácio da Redenção, sede oficial do Governo do Estado e contou com apoio de deputados da bancada de oposição na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB).

Durante o protesto, alguns representantes do movimento se dirigiram à Casa de Epitácio Pessoa e ficaram posicionados na entrada do plenário Deputado José Mariz para tentar o diálogo com alguns deputados estaduais. A deputada Estela Bezerra (PSB) foi a única governista a conversar com os grevistas. Ela reconheceu a escassez de recursos por parte da administração estadual, que tem dificultado o repasse integral do valor do duodécimo, mas alertou para problemas de gestão identificados no comando da UEPB. A parlamentar se prontificou ainda a tentar articular o diálogo entre os representantes e o governador Ricardo Coutinho (PSB).

“O Estado da Paraíba e o Brasil tem problemas de recursos, temos uma projeção orçamentária, mas não temos em casa o dinheiro projetado. A reivindicação faz sentido pela escassez de recursos, ao mesmo tempo, e os representantes do comando de greve e professores entendem, dentro da gestão da UEPB, e isso não é de agora, não existe uma transparência, não existe a construção do investimento orçamentário a partir do diálogo com todos os centros. Por exemplo, não entendo porque o Centro de Guarabira não recebeu investimento, quando foram construídas outras estruturas em Campina Grande”, comentou.

Discussão entre parlamentares

A deputada logo foi cercada por colegas da oposição. Um deles, Janduhy Carneiro (Podemos) fez insistentes apelos por diálogo do Governo com os grevistas com a UEPB, Estela Bezerra chegou a responder de forma aspera ao oposicionista. “Não vou ficar aqui fazendo palanque para deputado de oposição que está sendo oportunista. O senhor deveria fazer menos discurso, e ajudar mais no diálogo”, disse Estela. “Deputada, a lei orçamentária aprovada nesta Casa está sendo descumprida por esse governo e precisa ser cumprida, isso não é discurso, é um fato”, respondeu Janduhy.

Outros deputados participaram da conversa com os representantes dos grevistas. Entre eles, os oposicionistas João Henrique (Democratas) e Camila Toscano (PSDB). “Isso é falta de gestão por parte do governador Ricardo Coutinho (PSB) que criminosamente, para não dizer irresponsavelmente, não repassa o duodécimo da UEPB e dos demais poderes”, disse o primeiro. “O governador só pode vir a criticar a gestão da UEPB quando ele cumprir o que diz a lei orçamentária. Eles estão aqui na Praça, debaixo de chuva, clamando por um diálogo, e precisam ser ouvidos”, complementou a tucana.

Auditoria na UEPB

Antes da chegada dos grevistas, o movimento já tinha sido alvo de pronunciamentos dos deputados Raniery Paulino (PMDB), Renato Gadelha (PSC), Bruno Cunha Lima (PSDB) e do líder da oposição, Tovar Correia Lima (PSDB), que, inclusive, desafiou o governador Ricardo Coutinho a autorizar uma auditoria de contas na gestão da UEPB.

“A instituição nos diz que o governo não vem cumprindo a lei que dá autonomia à UEPB, e o governo, por sua vez, vai para a mídia dizer que não é isso que acontece e que ela é má administrada, deixando 80% dos seus recursos para pagamento da folha.O governo precisa abrir uma auditoria para mostrar se há esse desgoverno ou descontrole que tanto fala e que venha nos dizer em audiência pública o porquê que a UEPB está em greve, não tem recursos e está fechando salas de aulas”, comentou.

Reinvidicações

Dentre as reivindicações do Comando de Greve, o repasse do valor integral do duodécimo definido no Quadro Demonstrativo de Despesas (QDD) do Orçamento 2017, conforme estabelecido na Lei Orçamentária Anual (LOA), aprovada pela Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) e sancionada pelo governador Ricardo Coutinho; a reposição de perdas salariais; melhor estruturação dos campi de João Pessoa, Monteiro, Patos e Catolé do Rocha; e afastamento da hipótese de desistência da diminuição de estudantes.

“Estamos tentando uma audiência com o Governo do Estado e, exatamente por não consegui-la, é que estamos realizando esse protesto. Pretendemos entregar um documento a um representante do governador para que possamos articular um diálogo e negociar uma saída para essa crise que assola a UEPB. Acreditamos que a saída não são as críticas mútuas entre o Governo e a universidade, a saída é sentar na mesa todas as partes envolvidas com o objetivo de fortalecer a UEPB enquanto universidade pública, patrimônio dos paraibanos”, comentou Nelson da Silva Júnior, presidente da Aduepb.

Em seguida, os representantes do movimento retornaram com alguns deputados estaduais para a frente do Palácio da Redenção. O protesto foi articulado pela Associação dos Docentes da Universidade Estadual da Paraíba (Aduepb), pelo Sindicato dos Trabalhadores em Ensino Superior da Paraíba (Sintespb-UEPB), e Diretório Central dos Estudantes (DCE).