Política

Artimanhas marcam eleições da presidência da Câmara Municipal

Após 10 anos na cadeira, Durval Ferreira entra para mais uma disputa na Casa Napoleão Laureano, em João Pessoa. 



O presidente da Câmara Municipal de João Pessoa, Durval Ferreira (PP), e o vereador Marcus Vinícius (PSDB) têm recorrido à imprensa para mostrar poder de fogo na disputa pela presidência da Casa no biênio 2017/2018. Apesar da confiança na vitória, fruto do compromisso assegurado por alguns colegas de parlamento, a história das eleições da Câmara da capital demonstra que o jogo só termina com o último apito do árbitro. São vários episódios de estratégias, confinamentos e articulações para garantir a cadeira. A eleição acontece no dia 1º de janeiro, logo após a posse dos vereadores.

Testemunha ocular de várias eleições da presidência do legislativo de João Pessoa, o ex-vereador Tavinho Santos acredita que esta eleição em especial deverá ser interessantes pelo poder de articulação dos dois concorrentes, sobretudo do atual presidente, na cadeira há quase 10 anos.  

Tavinho Santos conta que nas eleições que Durval Ferreira venceu aconteceram vários episódios, mas não tão emocionantes quanto nos anos 1980, quando até vereador trancado à chave para não comparecer a votação teve. Relato também feito pelo ex-vereador Pedro Coutinho (PHS), um dos mais antigos na Casa. “A disputa estava empatada. Chamaram um dos vereadores do lado adversário e o trancaram em uma sala até que terminasse a eleição”, recorda. 

Na eleição em que conseguiu assumir a cadeira de presidente da Casa, no biênio 1995/1996, Tavinho Santos disse que também foi envolva em muita polêmica, com o grupo do hoje deputado João Gonçalves, que queria eleger Josauro Paulo Neto para o posto. "João era vereador e quando nos deslocamos para o prédio houve muita troca de insultos da outra chapa. Lembro que o voto decisivo de Pinto do Acordeon", lembra.

Duas décadas depois, Tavinho foi protagonista de uma manobra para derrubar a eleição da vereadora Nadja Palitot (PMDB) para o biênio 2005/2006. A vereadora estava para ganhar a eleição, na dependência apenas do voto do vereador Severino Paiva. “Foi dormir presidente e acordou sem nada. Severino aderiu à chapa adversária para ser eleito presidente. Foi uma decepção muito grande para ela”, recorda Tavinho.

O vereador Durval Ferreira se elegeu na eleição seguinte, permanecendo até hoje na presidência da Câmara Municipal, biênio 2007/2008, permanecendo na cadeira até hoje. O vereador Pedro Coutinho disse que apesar do poderio do atual presidente da Casa, nem todas foram tão fáceis. “Teve uma eleição que estava dada como perdida para Durval. Um vereador já havia contratado buffet e deixado pronto na antessala da presidência para a festa da vitória e deu no que deu”, comentou. 

Tratamento vip

A eleição passada, a despeito da tentativa da vereadora Eliza Virgínia (PSDB) de derrubar o presidente, uma nova manobra garantiu a sua vitória. Durval Ferreira chegou a “hospedar” os vereadores que votariam nele em um hotel luxuoso no litoral Sul da Paraíba. “Na eleição passada (que garantiu a presidência para Durval Ferreira para os dois biênios seguintes), foram todos que votavam nele para um hotel no litoral sul. Não posso falar em confinamento, mas os celulares foram guardados porque a procura era muito grande”, comentou o ex-vereador Tavinho Santos. 

Bola dividida

Uma das articuladoras da eleição de Marcos Vinícius, a vereadora Raíssa Lacerda (PSD) garante que deve chegar a 18 vereadores que apoiarão a mudança da presidência. “Tenho certeza que mais dois nomes virão, se Deus quiser”, afirmou. Já Durval Ferreira assegura que tem 13 nomes certos, com acordo assinado em prol da sua reeleição. 

“Para a eleição deste ano, a situação é um pouco mais complicada que nos anos anteriores. Tanto Durval é bastante articulador, sabe fazer política, quanto Marcos Vinícius, seu principal concorrente. Agora acredito que Cartaxo tem que intervir nesse processo para que acabe não havendo baixas ou estremecimentos em sua base”, comentou Tavinho.