Política

Prefeito de Quixaba e empresários são indiciados por fraude

Júlio César já havia sido preso na Operação Desuminade por outro crime. 



 O Ministério Público da Paraíba (MPPB) ajuizou ação civil pública por ato de improbidade administrativa contra o prefeito de Quixaba, Júlio César de Medeiros Batista (PMDB), além da empresa “Silva e Leite Construções e Serviços Ltda” e seus sócios, Gerson Leite da Silva, Flávio Nunes de Sousa e Paulo César Leite. Eles são acusados de ter gerado um prejuízo aos cofres públicos estimado em R$ 123 mil, através de uma série de irregularidades praticadas na contratação de serviço de coleta de lixo na cidade.

De acordo com o promotor de Justiça de Patos, Alberto Vinícius Cartaxo da Cunha, foi constatado que o ex-prefeito realizou, em 2013 e 2014, quando estava à frente do município, um pregão presencial com objeto genérico e com termo de referência vago para contratar serviço de coleta de lixo, favorecendo o único participante e vencedor da licitação, a empresa “Silva e Leite Construções e Serviços Ltda.”. 

As diligências também comprovaram que Júlio César cedeu um trator do município para que um gari e  um tratorista do município realizassem o serviço contratado. O ex-prefeito também permitiu que o serviço fosse prestado de forma precária e diversa do objeto da contratação, já que o lixo só era recolhido três vezes por semana e em veículo impróprio e sem emplacamento. 
 
Influência política
 
Durante as diligências, o MPPB verificou que em anos anteriores, o serviço de coleta de lixo em Quixaba foi prestado por empresas que possuíam ligações entre seus sócios: a “Medeiros Ltda.” e a “Morada do Sol Construções e Empreendimentos”. Foi constatado ainda que Maxnoá Bezerra Leite, ligado às duas empresas, exerce influência política na região, tendo sido, inclusive, prefeito do município de Olho D´Água, entre 1993 e 1996, e apoiando a candidatura de vários gestores em municípios paraibanos em anos seguintes.
Empresas de fachada
 
Também foram constatadas semelhanças de identidade entre a empresa “Morada do Sol” e a “Silva e Leite Construções”, que teria sido criada apenas com a finalidade de ganhar o contrato com a prefeitura, em 2013. “Há indícios de que a empresa detinha patrimônio fictício. O único bem existente no balanço patrimonial da 'Silva e Leite Construções' é o saldo em caixa (não em banco), de R$ 160 mil. Ou seja, os sócios sequer possuíam o trator utilizado no serviço, à época de sua criação. Em realidade, a empresa deveria ser inabilitada, pois seu objeto, relativo a obras de engenharia e construção é incompatível com a prestação de serviço pretendida. Portanto, não poderia prestar o serviço”, argumentou a promotoria.
 
Recebimento indevidos 
 
A empresa “Medeiros Ltda.” venceu a licitação, em 2011, na modalidade “carta-convite”, e recebeu R$ 7.950,00 para fazer a coleta de lixo na cidade. Dois anos depois, o mesmo serviço passou a ser realizado pela “Silva e Leite Construções”, por R$ 14.950,00. “O inquérito civil público (instaurado em 2013) ainda demonstra que o serviço, que foi renovado e prestado por dois anos, teve custo duas vezes superior ao do ano de 2011, ficando evidente o pagamento de preço superior ao do mercado”, destacou o promotor de Justiça.
 
Desumanidade
 
Em junho deste ano, Júlio César foi conduzido coercitivamente pela Polícia Federal para
prestar depoimento na sede do Ministério Público Federal, em Patos, no Sertão. O gestor é um dos investigados na 2ª fase da Operação Desumanidade, operação que apura irregularidades na contratação de empresas de construção que atuavam em prefeituras do sertão paraibano, dentre elas Patos, Emas, Quixaba e São José de Espinharas.
 
A ação é coordenada pelo Ministério Público Federal (MPF) por meio da Procuradoria Regional da República da 5ª Região (PRR5), no Recife, da unidade do MPF em Patos (PB)