Política

Lucas Santino detalha participação de Leto Viana na compra de cargos em Cabedelo: 'sabia de tudo'

Depoimento do ex-presidente da Câmara foi dado durante comissão de impeachment de Leto Viana.




Leto Viana foi preso em agosto, após a deflagração da Operação Xeque-Mate.

O ex-presidente da Câmara Municipal de Cabedelo, Lucas Santino, foi ouvido na tarde desta quarta-feira (26) na comissão do pedido de impeachment do prefeito afastado e preso Leto Viana. Durante seu depoimento, Santino detalhou a compra do cargo do prefeito Luceninha e os meios pelos quais Leto Viana controlava a Câmara de Cabedelo. Os crimes estão sendo investigados pela Operação Xeque-Mate.

Segundo o depoimento de Santino, ele foi alertado por um secretário de eventos da Câmara de que um “fato histórico” ocorreria em Cabedelo. Dias depois, o ainda prefeito Luceninha teria ligado para ele para lhe informar da decisão. “Eu fui até a casa dele e tentei fazer ele mudar de ideia, mas ele disse que já estava decidido”, afirmou Santino. “Já estava tudo acertado, inclusive todos os cargos. Leto tratou de tudo com Luceninha antes do anúncio”.

Conforme Santino, parte do dinheiro para compra do cargo já estava em posse de Luceninha antes do anúncio. O radialista Fabiano Gomes, que seguia preso no PB-1 até esta quarta, estava presente durante o encontro. Entretanto, Santino não deu detalhes sobre a participação do comunicador no esquema.

Lucas Santino declarou que o prefeito afastado Leto Viana estava no controle de toda a operação da compra do mandato e de cargos da Câmara. “Leto sabia da compra de cargos; se não existisse negociação, ninguém da família de Luceninha ia continuar nos cargos após a transição, mas isso ocorreu”, argumentou o ex-vereador, acrescentado que Leto Viana gastava cerca de R$ 70 mil por mês para manter os cargos comprados.

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Segundo o depoimento, Leto Viana bancava parte das campanhas dos candidatos a vereador. “Se a pessoa ganhasse, pagava através do cargo; se perdesse, os compromissos eram perdoados”, detalhou Santino. “Leto Viana nomeava os cargos de quem vencia – tudo era definido através de envelopes que eram entregues aos vereadores. O vereador nem pensava em nomear: olhava direto na lista”, denunciou.

Cargos fantasmas e laranjas

Durante o depoimento, Lucas Santino afirmou que Leto Viana utilizava cargos fantasmas para se apropriar ilicitamente dos salários dos servidores municipais de Cabedelo. “Ele nomeava uma pessoa que não ia trabalhar, só pra pagar INSS, e ficava com uma parte do salário”, disse.

O ex-presidente da Câmara reforçou, ainda, que Leto Viana ocultava seu patrimônio através de laranjas. “O que ele tem em patrimônio não condiz com a realidade do cargo que ele ocupava. Ele pegava pessoas com condições financeiras – e até pessoas que não tinham, mas ele criava essas condições artificialmente – e colocava terrenos, imóveis, prédios nos nomes delas”. Segundo ele, uma dessas pessoas teria sido a própria filha do ex-prefeito: “ele colocou um caminhão no nome da filha”, declarou

Operação Tapa-Buraco e utilização pessoal de servidor público

Santino detalhou, ainda, um esquema de pagamento de propina para beneficiar uma empresa na realização dos serviços da Operação Tapa-Buraco em Cabedelo. Conforme o ex-vereador, ele foi contactado pelo colega Mário Bezerra e por um representante da empresa, que ofereceram  um contrato de R$ 6 milhões para realizar reparos nas ruas de Cabedelo. Segundo Lucas Santino, Leto Viana receberia 18% desse valor em propina para garantir a contratação da empresa. “Eu levei a proposta até Leto, e ele fechou um contrato de R$ 2 milhões já que, segundo ele, o tamanho de Cabedelo não justificaria um acordo de R$ 6 milhões”.

Segundo o depoimento, Leto Viana se aproveitava dos serviços de um servidor da prefeitura de Cabedelo para fins pessoais. O servidor, que deveria prestar serviços de segurança na Câmara, estava fazendo a segurança privada de Leto Viana. “Ele o acompanhava a todo lugar, como a restaurantes”, disse Lucas Santino.

Operação Xeque-Mate

A Operação Xeque-mate foi deflagrada no dia 3 de abril de 2018 pelo Departamento de Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público do Estado da Paraíba, por meio do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), a partir de uma colaboração premiada de Lucas Santino. A investigação concluiu pela existência de uma organização criminosa na qual agentes políticos e servidores públicos do município de Cabedelo estariam envolvidos.O esquema funcionava na prefeitura e na Câmara Municipal da cidade.


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