Política

Gabinete de Armando Abílio é investigado no escândalo de passagens

Corregedoria da Câmara apura se gabinete do deputado federal paraibano pagou passagens aéreas para terceiros a partir de cotas de uso exclusivo para trabalho.




Karoline Zilah

O deputado federal paraibano Armando Abílio (PTB) foi citado no relatório de uma sindicância da Corregedoria da Câmara, que apura o envolvimento de funcionários e deputados no esquema que ficou conhecido como “máfia das passagens”.

Um funcionário do gabinete de Armando Abílio e outros 44 servidores de mais 38 parlamentares são acusados de pagar passagens aéreas para terceiros a partir de  créditos, ou cotas, de uso exclusivo dos deputados a trabalho.

De acordo com o site Congresso Em Foco, que acompanha as denúncias desde o início do escândalo, os créditos eram vendidos com desconto a terceiros, que os transformavam em passagens. Para dar os descontos, os agentes obtinham deságios na compra, empréstimo ou antecipações desses créditos com intermediários ou funcionários dos gabinetes.

O Congresso em Foco disponibilizou uma lista de servidores dos gabinete de deputados. Entre eles está Ricardo Antônio de Sales Maciel, que trabalharia para Armando Abílio. O deputado ainda não estaria sendo investigado pela Corregedoria, mas sim o funcionário.

Leia aqui cada um dos 45 casos investigados

Segundo o relatório da sindicância, bilhetes de passagens aéreas teriam sido do deputado Eugênio Rabelo teriam sido custeados com cota dos deputados Armando Abílio e Cézar Silvestri (PPS-PR). O paraibano não respondeu às denúncias. O gabinete de Armado ainda é apontado como responsável por custear viagens de mais duas pessoas.

A nossa reportagem tentou entrar em contato com o deputado, mas ele não foi encontrado para responder às acusações. No gabinete dele em Brasília o funcionário investigado também não foi encontrado.

Veja o que a sindicância investiga:

Caso nº 5. RICARDO ANTONIO DE SALES MACIEL
DEPUTADO ARMANDO ABÍLIO (PTB-PB)

Situação do deputado: Armando Abílio não é investigado pela Corregedoria, pelas informações obtidas até o momento
Situação do funcionário: Ricardo Antônio de Sales Maciel (ponto 16.412), em atividade
Processo: 137.583/2009 (portaria 155/2009, de 27.out.2009)

Caso:
Segundo o relatório da comissão de sindicância, parte dos bilhetes contestados pelo deputado Eugênio Rabelo e divulgados no Congresso em Foco foram custeados com cota dos deputados Armando Abílio e Cézar Silvestri (PPS-PR). A emissão do bilhete do passageiro Ivan Nascimento foi paga juntamente com cota de Abílio. A requisição da viagem (RPA) é assinada por Ricardo Antônio Sales Maciel, diz a página 63 da investigação.

“Ex positis, há indícios de comercialização de créditos de passagens aéreas no gabinete do deputado Eugênio Rabelo (…) O mesmo se pode dizer em relação aos gabinetes de Cézar Silvestri e Armando Abílio, relativamente aos servidores Clenúbia Maria da Costa Rodrigues e Ricardo Antônio Sales Maciel, respectivamente.”

O que diz o funcionário:
Ricardo Maciel não retornou os recados deixados no gabinete.

O que diz o deputado:
Armando Abílio também não retornou os recados deixados no gabinete.

Denúncias

Sete deputados federais paraibanos foram citados no mês de abril de 2009 por envolvimento na movimentação irregular de cotas para passagens aéreas. O caso se tornou público depois que Fábio Faria (PMN-RN) teve que devolver à Câmara Federal mais de R$ 21 mil como ressarcimento por viagens feitas, na época, com a então namorada Adriane Galisteu.

Os seguintes paraibanos figuraram na lista de quem usou cota de passagens aéreas para ir ou enviar terceiros para fora do Brasil:

Marcondes Gadelha (PSB) – 12 voos
Armando Abílio (PTB) – 7
Damião Feliciano (PL) – 4
Vital do Rego Filho (PMDB) – 4
Efraim Filho (DEM) – 2
Ronaldo Cunha Lima (PSDB) – 2
Manoel Júnior (PSB) – 1

No total, 12 deputados federais da Paraíba gastaram R$ 184,1 mil com passagens aéreas entre janeiro de 2007 e outubro de 2008 (1 ano e dez meses). Cada um dos deputados recebeu como cota de transporte aéreo R$ 15.348,77 por mês, ou seja, R$ 1.100,00 para ser gasto com passagem de ida e volta ao Estado.