Política

Cortes no orçamento do governo federal ampliam greves na Paraíba

Devido aos cortes de R$ 26 milhões, UFCG só terá dinheiro em caixa para pagar as contas até outubro.




A insatisfação com os cortes no orçamento geral da União e com a proposta de reajuste dos salários oferecidos pela presidente Dilma Rousseff (PT) tem atingido o funcionamento dos serviços prestados pelos órgãos federais na Paraíba. Servidores públicos de pelo menos 10 órgãos federais estão com as atividades paralisadas no Estado. Dentre eles, estão a educação superior, o judiciário federal e serviços indispensáveis ao trabalhador como a Delegacia Regional do Trabalho e a Previdência Social. Além deles, servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-PB) estudam aderir ao movimento.

Em greve desde maio, os servidores dos tribunais regionais Federal, do Trabalho e Eleitoral devem conhecer hoje qual índice de aumento receberá em seus vencimentos. A categoria está há 9 anos sem reajuste. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, deve colocar em votação a nova proposta rebaixada de reajuste, negociada entre o Supremo e o Poder Executivo.
Conforme o sindicato da categoria, com acréscimo de apenas 3% em relação ao valor do ano passado, o orçamento aprovado não leva em conta o reajuste dos servidores. No mês passado, a presidente Dilma vetou integralmente o projeto que pretendia conceder reajustes de 56,4% a 78,6% aos servidores do Judiciário, o que fez prolongar ainda mais. Na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), os professores da UFPB, em greve desde o dia 28 de maio, voltam a se reunir em assembleia geral nos campi de João Pessoa e Bananeiras, às 9h, e de Areia, à tarde.

Situação mais crítica, porém, está a da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que devido aos cortes de R$ 26 milhões, só terá dinheiro em caixa para pagar as contas até outubro.
O reitor da UFCG, Edilson Amorim, disse que, caso não haja a reversão dos cortes e suplementação orçamentária de pelo menos R$ 12 milhões, não será possível pagar as contas de custeio de novembro e dezembro. “Com os cortes estão com o mesmo orçamento de 2014, mas com aumento nas tarifas de todos os serviços, além de reajuste de salários dos terceirizados”, explicou Edilson Amorim.

No Instituto Federal da Paraíba (IFPB), o calendário letivo está temporariamente suspenso, em razão da adesão dos servidores ao movimento grevista, que iniciou em junho. Os servidores reivindicam a isonomia de benefícios, uma data-base, o reajuste linear de 27,3% para 2016 e a anulação do fundo de previdência do servidor.

Segundo Regina Alice, do comando de greve do IFPB, a insuficiência nos recursos tem gerado prejuízos nas atividades e precarização das condições de trabalho, como adiantamento e interrupção em obras, corte de visitas técnicas, aulas. Também em greve geral, desde o dia 10 de julho, estão os servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A categoria pede um reajuste salarial de 27,5%, que entraria em vigor imediatamente, seguido de aumentos gradativos durante os próximos quatro anos. A presidente Dilma propôs reajuste de 21,3%, parcelado pelos próximos anos.  


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