Política

“Com certeza, nós vamos dizer não ao Future-se”, antecipou a reitora da UFPB

Margareth Diniz apresentou proposta do governo Bolsonaro em assembleia lotada.




A reitora da UFPB, Margareth Diniz, convocou assembleia para apresentar o Future-se. Foto: Caio Ismael/CBN

A comunidade acadêmica do Campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) foi apresentado nesta segunda-feira (22) ao programa Future-se. Proposto pelo Ministério da Educação (MEC), ele visa ampliar a participação de verbas privadas no orçamento das universidades federais (UFs), para que dependam menos do orçamento da União. A reitora da UFPB, Margareth Diniz, antecipou seu posicionamento contrário ao programa. “Com certeza, nós vamos dizer não ao Future-se”, declarou, durante a assembleia convocada por ela no auditório do Centro de Ciências Jurídicas da UFPB.

A reitora disse que está foi uma primeira convocação e que o debate foi iniciado em João Pessoa, mas deve seguir para outras cidades da Paraíba. “Vamos fazer um amplo debate institucional. Vamos em cada Centro fazer essa apresentação, vamos ouvir todo mundo e logo após levar para o Conselho Universitário. No conjunto nossa proposta é continuar defendendo a autonomia da universidade pública de qualidade”, comentou.

Margareth Diniz disse que tem alguns eixos de interesse, mas não abre mão da autonomia universitária. “São três eixos de interesse: de governança, internacionalização e de pesquisa em desenvolvimento. Só queremos que o governo federal entenda que educação não é gasto, mas investimento”, disse.

 

Assembleia

O espaço ficou lotado não apenas do corpo docente e de alunos, como também por representantes do Sindicato Dos Trabalhadores em Ensino Superior (SINTES-PB), Associação dos Docentes da Universidade Federal da Paraíba (ADUFPB) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE).

A Diretoria da ADUFPB já identificou inúmeras questões que expressam enormes retrocessos e considera fundamental que a categoria discuta essa proposta e construa as lutas e resistências necessárias a mais esse ataque às universidades federais.

Para a categoria, a primeira questão que deve ser colocada no debate é que os cortes que estão ameaçando o funcionamentos das IFES estão mantidos e a proposta deve aprofundar essa desastrosa tendência. Além disso, o projeto ao invés de expressar ampliação da autonomia universitária, representará exatamente o oposto: vai esvaziar os espaços democráticos e destruir a autonomia das universidades.

Encaminhamentos

Novos encontros serão realizados ainda esta semana. Nesta próxima quarta-feira (24), a esquipe da reitora estará nos campus II, de Areia, às 9h; e no campus III, em Bananeiras, às 15h. No dia 30 de julho, o debate será no campus IV, em Rio Tinto e Mamanguape, às 15h.

A deputada Cida Ramos convocará uma sessão especial para façamos esse com os deputados estaduais, lá na Assembleia Legislativa”, adiantou.

Após percorrerem os campus universitários da UFPB, eles irão convocar o Fórum Universitário, onde serão apresentados os projetos mais polêmicos do Future-se, o que deve ocorrer no dia 2 de agosto. “Cumprindo esse calendário vamos levar os resultados ao conselho universitário”, completou Margareth Diniz.

Em paralelo a estas discussões, debates sobre corte no orçamento das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) de todo o país, anunciado em 30 de abril, permanecem. Somente na Paraíba, o bloqueio nos recursos foi de mais de R$ 100 milhões. Especificamente na UFPB, de R$ 44.742.865,00 de recursos de custeio e de R$ 5.645.537,00 oriundos de emendas da bancada federal do Estado, que totalizam um bloqueio de 32,75% no orçamento da instituição para este ano.

Future-se

O Future-se foi apresentado na última quarta-feira (17) a representantes de universidades públicas do país e será colocado em consulta pública pela internet até 7 de agosto. Segundo o Ministério da Educação (MEC), o fortalecimento da autonomia administrativa, financeira e da gestão das universidades e institutos federais. Para isso, essas ações seriam desenvolvidas por meio de parcerias com organizações sociais.

Dividido nos eixos “Gestão, Governança e Empreendedorismo”, “Pesquisa e Inovação” e “Internacionalização”, o projeto, ainda de acordo com o MEC, não acarretará na privatização das universidades, porque continuarão a ter um orçamento anual e a adesão ao programa é voluntária.

Consulta pública ficará no ar até as 23h59 de 15 de agosto.

 

 


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