Política

Apesar da decisão do partido, ministros do PMDB vão permanecer no governo

Kátia Abreu, da Agricultura, garantiu que ela e outros cinco ministros se licenciarão do partido para ficar nos cargos.




A ministra Kátia Abreu (Agricultura) foi flagrada ontem , durante a cerimônia de lançamento da terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida, no Palácio do Planalto, enviando mensagens nas quais afirma que ela e os outros cinco ministros do PMDB decidiram não deixar seus cargos no governo Dilma Rousseff.

No texto, ela afirma que a decisão foi tomada "ontem à noite" e cita o local: "casa de Renan", numa referência à residência oficial do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
A ministra diz ainda que ela e os outros cinco correligionários se licenciarão da legenda em "respeito à decisão aprovada".

O único que deve ficar fora do governo é Henrique Eduardo Alves, que já havia oficializado sua saída do Ministério do Turismo no último dia 28.

A troca de mensagens ocorreu menos de 24 horas depois de a direção nacional do PMDB oficializar o fim da aliança com o PT e determinar que todos os seus filiados entreguem cargos na administração federal.

Após a publicação das mensagens pela Folha de S.Paulo, Kátia Abreu afirmou em sua conta no Twitter que continuará "no Governo e no PMDB. Ao lado do Brasil no enfrentamento da crise".
Ela disse ainda que deixará a presidente "a vontade" caso ela necessite fazer mudanças no ministério para recompor sua base no Congresso. "O importante é que na tempestade estaremos juntos", finalizou.

Na reunião que selou o desembarque, realizada na tarde de ontem, os peemedebistas foram orientados a deixar os cerca de 600 cargos na administração sob a promessa de que aqueles que descumprirem a decisão seriam punidos.

O PMDB ainda tem na Esplanada, além de Kátia Abreu, os ministros Mauro Lopes (Aviação Civil), Helder Barbalho (Portos), Eduardo Braga (Minas e Energia), Marcelo Castro (Saúde) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia).

IMPEACHMENT 

Em evento oficial transformado em palanque contra o afastamento da petista, a presidente Dilma Rousseff reconheceu que o dispositivo do impeachment está previsto na Constituição Federal, mas ressaltou que pedir a perda de mandato presidencial sem crime de responsabilidade "é golpe".
Segundo ela, aqueles que pretendem retirar um presidente do poder sem base legal querem "golpear direitos garantidos da população" e, caso consigam, "serão responsáveis por retardar a retomada do crescimento econômico e da geração de emprego" no país.

O discurso, no lançamento da terceira etapa do programa Minha Casa, Minha Vida, foi feito no dia seguinte ao rompimento do PMDB,  o que levou o governo a abrir uma guerra contra o vice-presidente Michel Temer.

Ministério da Saúde para o PP

No balcão de ofertas aberto após o rompimento com o PMDB, o governo federal ofereceu ao PP o Ministério da Saúde, um dos principais da Esplanada, e uma troca de ministro na Integração Nacional, já comandada pelo partido. O objetivo é tentar evitar o desembarque da quarta maior bancada da Câmara dos Deputados. Em encontro ontem, o PP marcou para o dia 12 reunião para decidir se permanece ou sai do governo.

PR: negociações com dois lados

Líder da bancada do PR, o deputado Maurício Quintella Lessa (AL) afirmou ontem que a negociação de ministérios e cargos federais está sendo feita pelos "dois lados", o governo Dilma Rousseff e os defensores e protagonistas de um possível governo Michel Temer (PMDB). Quintella  disse que o PR só tomará uma decisão após a Comissão Especial do Impeachment apresentar o seu relatório, possivelmente daqui a duas semanas.


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