Política

AL discute reordenamento da orla; Burity e Gonçalves trocam farpas

Clima fica tenso durante a discussão da padronização da orla e seguranças foram chamados para que o deputado e o secretário da Prefeitura não se agredissem.




Karoline Zilah

O projeto de padronização, legalização e reordenamento das barracas da praia do Bessa deu um passo para a sua concretização na manhã desta terça-feira (11) na Assembléia Legislativa. A audiência pública reuniu deputados, representantes dos donos de bares, da Gerência Regional do Patrimônio da União (GRPU) e prefeitura municipal e culminou na criação de uma subcomissão específica para tratar do assunto.

Tudo ocorria bem até o momento em que o deputado João Gonçalves (PSDB) subiu à tribuna. Após discursar sobre o projeto, ele começou a tratar de assuntos da prefeitura de João Pessoa e a fazer questionamentos quanto ao comportamento do secretário de Desenvolvimento Urbano, Ivan Burity.

Desviando-se da pauta sobre as barracas da orla, Gonçalves irritou Burity: “essas pessoas da Secretaria querem chegar lá batendo em todo mundo”, acusando uma equipe da prefeitura de ter agredido pessoas durante a cerimônia de entrega de residências feita pelo Governo do Estado na comunidade Colinas do Sul.

Sentado à mesa diretora da Assembléia, Burity começou a responder às acusações de Gonçalves, que ainda falava ao microfone no púpito. “Você é um descontrolado”, disse o deputado ao secretário da prefeitura. Interrompidos pela presidente da sessão, a deputada Iraê Lucena, eles foram convidados a se “acalmar”.

Sentados lado a lado, eles continuaram as provocações e precisaram trocar de cadeiras para que as farpas não se transformassem em agressões. Seguranças se posicionaram próximo ao deputado e ao secretário para intimidar e apaziguar os ânimos, até que a discussão esfriou e a bióloga Rita Mascarenhas assumiu o microfone para retomar a pauta e palestrar sobre a preservação ambiental da praia do Bessa.

Defesa do projeto orla

Em seus depoimentos, o deputado estadual Rodrigo Soares (PT), que convocou a audiência, e Welisson Araújo Silveira, gerente do Patrimônio da União na Paraíba, demonstraram estar ao lado dos proprietários de bares que ocupam as areias da praia do Bessa. Ambos defenderam a aprovação de um projeto que possibilite a permanência dos serviços na orla do bairro.

“Os empresários não são favoráveis à permanência de seus estabelecimentos da forma que eles ocupam a praia hoje. Eles são um serviço público e querem ser padronizados assim como Tambaú e Cabo Branco. A GRPU é favorável ao ordenamento costeiro”, explicou Welisson Silveira, ressaltando que as mudanças devem ser feitas em respeito às questões ambientais. “Se não for possível regularizar, não prosseguiremos”, afirmou.

Ivan Burity, secretário de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de João Pessoa, disse que se deparou com o projeto de reorganização da praia do Bessa quando assumiu a pasta. “Mas esse mesmo terreno que estava planejado para ser ocupado por barracas padronizadas está sendo reivindicado novamente pelo Patrimônio da União, que há muito tempo tenta reaver a localidade”, comentou.

Ele continuou defendendo a demolição das barracas, relembrando a retirada das palhoças do mercado do peixe e do Lardo da Gameleira, em Tambaú, e da praia de Manaíra por conta do avanço do mar, que já alcança a calçada naquele bairro.

Os donos de bares foram notificados no último dia 29 para retirar as barracas dentro de 30 dias, mas uma recomendação do Ministério Público Federal foi acatada pela GRPU e pela Prefeitura de João Pessoa para que os estabelecimentos só fossem demolidos após o verão.

Os funcionários dos restaurantes também compareceram à audiência e levaram faixas de protesto, alegando que os seus trabalhos e empregos dependiam de uma posição do prefeito Ricardo Coutinho. De acordo com Natália Queiroga, presidente da Associação dos Bares da Orla do Bessa, cerca de 300 pessoas trabalham diretamente nestes estabelecimentos, o que inviabiliza a extinção total dos negócios.

Atualizado às 15:38


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