Policial

Quadrilha utilizava fábrica de sabão para lavagem de dinheiro

Organização desarticulada na manhã desta quarta (9) investia valor arrecadado com fraudes no INSS em indústria suspeita de fabricar produto falsificado, diz PF.



Deborah Sousa
Deborah Sousa
Representantes da Polícia Federal, Procuradoria da República de Campina Grande e INSS participaram de coletiva

A organização criminosa que atuava fraudando a concessão de benefícios previdenciários na Paraíba, e desarticulada em uma operação na manhã desta quarta-feira (9), usava uma fábrica de sabão para lavagem de dinheiro. A informação foi dada em entrevista coletiva realizada pela Polícia Federal, Procuradoria da República de Campina Grande e INSS nesta tarde na Delegacia da Polícia Federal em Campina Grande.

Conforme as investigações, a quadrilha investia todo o dinheiro arrecadado com as fraudes em uma fábrica que iria funcionar na cidade de Cajazeiras, no Sertão do Estado, e cujo depósito ficava em Campina Grande. A procuradora da República de Campina Grande, Acácia Soares, frisou que há ainda suspeitas de que o sabão produzido pelos suspeitos seja falsificado. Se o fato for comprovado, a organização pode responder também por Crime Contra a Relação de Consumo.

As investigações apontam que a atuação do grupo tenha causado um prejuízo de mais de R$ 3 milhões, considerando os benefícios pagos desde outubro de 2014, quando foram detectadas as fraudes. De acordo com a Polícia Federal, se levada em consideração a expectativa de vida dos supostos beneficiários, tanto dos benefícios concedidos já indicados como fraudulentos, quanto daqueles que passarão por auditoria, o prejuízo evitado poderá ultrapassar os 100 milhões de reais.

A quadrilha utilizava documentação fraudulenta para supostamente buscar comprovar o exercício de atividade rural e, em muitos casos, chegava a conceder benefício rural com base apenas em ‘entrevista’, sem juntar qualquer documentação. Imediatamente após a concessão eram incluídos empréstimos consignados, por meio de ‘operadoras de crédito/ financeiras’. Outra forma de atuação era a concessão de pensões previdenciárias por morte, baseadas em documentos irregulares, ‘criando’, por intermédio de documentos falsos, tanto o instituidor (falecido) quanto o beneficiário.

Segundo a PF, a Operação Fanes, nome que faz referência ao mito grego da criação, cumpriu 17 mandados de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 30 mandados de busca e apreensão, nas cidades de Campina Grande, João Pessoa, Cajazeiras, Patos, Puxinanã, Mogeiro, Caturité e também em Recife. Todas as ordens foram expedidas pela 6ª Vara Federal em Campina Grande. Entre os presos, estão um agente de saúde e um funcionário do INSS de Campina Grande.

Os investigados responderão pelos crimes de Organização Criminosa, Lavagem de Dinheiro, Inserção de Dados Falsos em Sistema de Informação e Estelionato. Participam da Operação 140 policiais federais e 16 dezesseis Servidores da Previdência Social.
 


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