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2014: Cássio Cunha Lima

Flávio Lúcio

A partir da coluna de hoje, vamos tratar dos principais protagonistas da política paraibana. O futuro da política paraibana passa por eles.

Comecemos por Cássio Cunha Lima.

Apontado como um dos principais responsáveis pela vitória de RC para o governo estadual, em 2010, o Senador Cássio será novamente peça-chave nas disputas de 2014. Seja através de seu próprio prestígio, seja através da elaboração estratégica, que deve ter como ponto de partida o exercício de um certo controle sobre o comportamento político irascível do governador, que nesses dois tem afugentado importantes aliados.

A força de Cássio

Em política, é recomendável não subestimar as forças de ninguém. Mas, é bom também não superestimar. Cunha Lima não elege sozinho ninguém. Se assim fosse, ele teria optado pelo apoio a Cícero Lucena, em 2010, seu aliado de longas datas, mas preferiu aliar-se a um adversário, também de longas datas. E a trajetória das últimas disputas na Paraíba deixam os limites da liderança do atual Senador tucano expostas. Mesmo quando ele próprio enfrentou as disputas para governador, obteve vitórias apertadíssimas. Em 2002, contra o pouco conhecido Roberto Paulino, quando Cássio Cunha Lima estava no auge do seu prestígio e de sua juventude. Em 2006, contra o ex-governador José Maranhão, a vitória estreita foi atribuída pelo TRE e pelo PSE ao uso da máquina estadual, tanto que seu mandato foi cassado. Ou seja, Cássio tem força e prestigio político, mas há um limite que esbarra em uma Paraíba dividida politicamente, e nada indica que isso tenha mudado. E 2010 voltou a confirmar isso.

A candidatura de Cássio

Muito se especula sobre uma possível candidatura de Cássio Cunha Lima ao governo, em 2010, expectativa que não se sustenta juridicamente porque Cunha Lima hoje se encontra com os direitos políticos suspensos. Não sou jurista, mas venho repetindo isso por uma apreciação lógica do problema: ora, o registro da candidatura do tucano foi cassado em 2010 tanto pelo TRE quanto pelo TSE, e ele só assumiu a vaga no Senado, para a qual foi eleito, por conta da decisão o STF de não validar a Lei da Ficha Limpa para eleição passada. Inelegível por oito anos, Cunha Lima só poderá ser candidato em 2018.

Isso é um aspecto da questão. O outro é político. Se Cunha Lima rompe com Ricardo Coutinho, isolando-o, esse movimento dividiria o atual bloco cassista-ricardista, enfraquecendo-o. O tucano sabe que, por enquanto, não cabe uma terceira via na Paraíba. Ele aposta na manutenção da aliança olhando para além de 2014. Além disso, Cássio sabe também o poder de atração que tem um governador candidato no exercício do cargo. Seria esse um movimento muito arriscado e o Senador tucano não parece mais disposto a aventuras.

Em 2014, o principal projeto de Cássio deve ser Aécio, e não RC

Amigo de longas datas de Aécio Neves, o candidato a Presidência da República pelo PSDB, Cássio Cunha Lima deve estar mesmo de olho é na sucessão presidencial. Estrela nacional emergente do tucanato, Cunha Lima ocupa com competência cada vez mais espaço na cena política nacional e deve ser eleito, em breve, líder do PSDB no Senado. Cunha Lima sabe que em 2014 será disputada no Brasil uma espécie de “mãe de todas as batalhas” para o PSDB e para a oposição ao lulismo, e sabe mais do que ninguém que essa batalha já começou, e será o Congresso um palco privilegiado.

Cássio Cunha Lima assumiu, como nunca tinha feito antes, aliás, uma oposição aberta ao lulismo, e isso o afastará cada vez mais da esquerda. Caso o PSB marche em 2014 com o PT, a postura crescentemente oposicionista que Cássio deve assumir daqui por diante, pode criar fortes constrangimentos políticos a RC, que em 2010 transitou livremente em todos os palanques presidenciais, conseguindo mesmo evitar, via Eduardo Campos, que Lula viesse à Paraíba. Por outro lado, Cássio deve assumir importante posto na campanha tucana à Presidência, o que deve afastá-lo mais do que precisaria RC, da campanha na Paraíba, e esse é um desfalque importante para RC.

A hipótese de Ronaldinho na vice

Diferente do que aconteceu em sua reeleição para prefeito, quando montou a chapa majoritária da maneira que quis, em 2014,Ricardo Coutinho vai ter que abrir mais espaço para o cassismo, mais do que ele desejava. Estará em jogo o controle da sucessão de 2018 e, nesse caso, a posição de candidato a vice é estratégica, mais do que foi em 2010. Caso RC se reeleja, o vice deve assumir o cargo de governador caso a tradição de candidatura ao Senado de todo governador que termina o mandato seja mantida.

Nesse caso, a candidatura de Ronaldo Cunha Lima Filho, atual vice-prefeito de Campina Grande, parece ser a opção mais óbvia, por ser de Campina Grande, por ser irmão de Cássio e ter o mesmo nome do pai, o ex-governador Ronaldo Cunha Lima. Mas ela cria um inconveniente político para uma possível candidatura de Cássio ao governo em 2018, já que ele não poderia ser candidato com o irmão no exercício do cargo. Se essa hipótese realmente se concretizar, o projeto dos Cunha Lima para 2018 é outro para o governo. E ele atende pelo nome de Ronaldo Cunha Lima Filho.

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