Economia e Negócios

Da informalidade para negócio bem-sucedido

Empreendedores paraibanos mostram o caminho para trilhar crescimento nos negócio.

Rizemberg Felipe Rizemberg Felipe
Thaís Fernandes, que tem apenas 24 anos e comanda sua própria empresa há quase 10. Em 2012, ela ficou em 3º lugar no Prêmio Mulher de Negócios, na categoria MEI.

Abrir o seu próprio negócio é um sonho cada vez mais realizado pelos paraibanos que buscam ser “patrões de si mesmo”. Prova disso é o crescimento da formalização com a figura do Microempreendedor Individual (MEI), que mantém uma média mensal na Paraíba de mais de 1 mil novas empresas criadas desde 2010.

A formalização é o primeiro passo para histórias de sucesso, como a de Thaís Fernandes, que tem apenas 24 anos e comanda sua própria empresa há quase 10. Em 2012, ela ficou em 3º lugar no Prêmio Mulher de Negócios, na categoria MEI. Já em 2013 conquistou o 1º lugar do Prêmio na Paraíba, e ficou em 2º lugar no Brasil.

Dados do Portal do Empreendedor mostram como o número de informais vem caindo na Paraíba nos últimos 4 anos. A principal responsável é a figura do Micro Empreendedor Individual (MEI), que garante registro gratuito da empresa e com baixo custo de manutenção por mês (média de R$ 42,00) para quem fatura até R$ 60 mil por ano. De fevereiro de 2010, quando entrou em vigor o MEI, até o dia 6 de dezembro deste ano, mais de 64,2 mil pequenos negócios se formalizaram na Paraíba. O número de MEI já ultrapassou a quantidade de micro e pequenas empresas no Estado, que são em torno 46 mil conforme dados do Sebrae.

Thaís fundou a 'Presentes Especiais' em 2005, quando ainda tinha 15 anos e ainda cursava o ensino médio. A ideia de fornecer presentes personalizados veio quando uma colega da escola lhe pediu ajuda, pois estava com dificuldades para escolher um presente para o namorado.

“Ela já namorava com ele há um tempo e já tinha dado todos os presentes que ela podia pensar. Ela não queria ficar dando as mesmas coisas. Percebi que era um problema comum as pessoas não saberem o que dar de presente”.

A história teve saldo positivo para ambas. Thaís ajudou a amiga e ganhou a ideia para o seu próprio negócio.

“Naquela época não existiam presentes personalizados.

Percebi o nicho e comecei a anunciar em uma rede social, que na época era o Orkut. Comecei com investimento zero.

Fazia as peças sob encomenda e o cliente tinha que pagar 50% adiantado, e os outros 50% quando recebesse o produto. Com esse adiantamento comprava o material”.

O sucesso foi tanto que em menos de 2 anos, a empresa já havia vendido produtos para todos os Estados do Brasil. A falta de recursos da empreendedora - na época, adolescente - para investir no negócio, sempre foi driblada.

“Eu vi na televisão uma mulher que ensinava a colar guardanapos e papéis coloridos em caixas, e pensei que poderia fazer a mesma coisa com fotos. Eu queria aprender, só que o curso era muito caro. Conversei com a professora e propus uma permuta, ela me ensinaria a colagem e eu a ensinaria a mexer no photoshop”.

Assim, as opções de presentes oferecidas pela empresa cresceram. São caixas personalizadas, canecas, chinelos, quadros, luminárias, bonecos 'caricatura', entre outros. A empreendedora fechou parceria com artesãos e terceirizou os serviços que não conseguia fazer sozinha. Enquanto a empresa crescia, Thaís buscou qualificação e foi aprovada no curso de design de produtos da UFPB. Ela, que concluiu o curso em 2013, contou que teve que frear um pouco o crescimento da empresa para não prejudicar os estudos. “O campus era na cidade de Rio Tinto e a demanda da empresa permanecia alta, por isso foi difícil conciliar. Tive que diminuir o ritmo da empresa para conseguir me formar”.

Para ela, o esforço valeu a pena. Com o curso, ela contou que consegue projetar qualquer produto, o que amplia ainda mais os horizontes da empresa. “Consigo fazer praticamente qualquer coisa. Quem procura algum produto específico, que não encontra em João Pessoa, pode me encomendar”.

Com o diploma em mãos e podendo se dedicar 100% ao trabalho novamente, Thaís contou que a empresa agora passa por uma reestruturação. “Agora temos uma casa que funcionará como oficina e estou investindo em maquinário”.

Para isso, uma nova sócia está entrando no negócio, que passará de MEI para microempresa.

Dolce Zero

Já a empreendedora Magna Cely Lordão investiu muito tempo e dinheiro no seu negócio, mas afirmou que todo o esforço valeu a pena. Ela, que é proprietária da empresa Dolce Zero, fornece sobremesas diet sob encomenda para restaurantes. Ela disse que procurou o Sebrae assim que teve a ideia, em 2010. Com apenas dois anos de empresa, Magna ficou em 2º lugar na categoria MEI, no Prêmio Mulher de Negócios, promovido pelo Sebrae. “Meu pai era diabético e sempre percebi que nos restaurantes e lanchonetes nunca havia opção de sobremesa para ele. Eu já trabalhava com sobremesas 'normais', mas larguei esse negócio, que deixei com a minha sobrinha, para criar o meu negócio de sobremesas diet”.

Para Magna, a ajuda do Sebrae foi fundamental para a abertura do negócio. “Tinha que fazer testes para adequar o produto à legislação, e esses testes são muito caros. Procurei o Sebrae porque, através de parcerias, eles conseguem fazer os testes mais baratos”, afirmou.

A cozinheira contou que os produtos passaram um ano indo e voltando de um laboratório da Universidade Federal da Paraíba, até que ela conseguisse o equilíbrio perfeito entre o sabor desejado e as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Apesar de ser um negócio pequeno, sempre tive a preocupação de colocar um produto de qualidade no mercado”.

Atualmente com três sabores de sobremesa disponíveis, Magna vende os produtos para restaurantes e consumidores particulares de João Pessoa e Recife. Outros tipos de doces estão passando por testes laboratoriais para aumentar o cardápio da empresa. A expectativa da empreendedora é fornecer as sobremesas para comercialização em supermercados e, para isso, já desenvolveu códigos de barras para cada uma das opções de produtos. O plano deverá ser concretizado assim que for concluído o processo de migração em que deixará de ser Microempreededora Individual (MEI) para se tornar uma microempresária, o que deve ocorrer ainda em janeiro de 2015. “Só tenho que ver como ficará a questão da data de validade, porque meus produtos não têm conservantes e duram 15 dias”, explicou.

Veja também:

- MEI vira empresa de médio porte

- Planejamento e dedicação são fundamentais