Mundo

Síria deve acabar com violência até amanhã

Rebeldes pediram retirada do armamento pesado, envio de ajuda humanitária, libertação dos presos políticos e entrada dos meios de comunicação no país.




O Exército Livre Sírio (ELS) deu um ultimato de 48 horas ao regime do ditador Bashar Al Assad para realizar o cessar-fogo e ameaçaram que se não for cumprido, deixarão de respeitar os pontos estipulados no plano de paz do mediador internacional, Kofi Annan. Em comunicado do Comando Misto do ELS no interior da Síria, os rebeldes exigiram que neste prazo, concluído amanhã, às 12h locais (6h de Brasília), as forças do governo cessem todas as formas de violência.

Além disso, os rebeldes pediram a retirada do armamento pesado das cidades, o envio de ajuda humanitária, a libertação dos presos políticos e a entrada dos meios de comunicação no país, como estabelecido pelo plano de Annan. "Não há nenhuma justificativa para continuar respeitando unilateralmente a trégua, já que Assad a sepultou com massacres", afirmou no comunicado o porta-voz do ELS no interior da Síria, o coronel Qasem Saadedin.

Saadedin cita como razões as mortes de 108 pessoas em Houla, as violações do regime aos direitos humanos e as resoluções do Conselho de Segurança da ONU. "O regime é a única fonte de terrorismo e de violência, que por sua vez gera organizações terroristas. É nosso dever defender e proteger os civis", disse o coronel.

O ELS considerou que a defesa dos civis não contradiz a legislação internacional e afirmou que o grupo é "o pilar da mudança civil e democrático e o fiador da unidade e a segurança do Estado após queda do regime".

Na nota, os rebeldes também pediram o início de negociações "sérias e verdadeiras" com a mediação da ONU para a entrega do poder ao povo. Por último, afirmaram que nos próximos dias será anunciado um conjunto de resoluções que definirão as características da próxima etapa.

CONDENAÇÃO
O ultimato acontece um dia depois de Annan pedir a Damasco medidas imediatas para frear a violência, em reunião com Assad no país. Desde anteontem, 12 países expulsaram embaixadores sírios e outros três os declararam persona non grata. Os representantes foram expulsos de Alemanha, Austrália, Bulgária, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Nova Zelândia, Turquia, Japão e Reino Unido. Em Holanda, Bélgica e Suíça, foi considerado persona non grata.

Apesar das condenações, a China expressou sua oposição a qualquer intervenção militar estrangeira na Síria para resolver o conflito e instou a comunidade internacional a seguir apoiando o trabalho de mediação do enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan. "A China se opõe a uma intervenção militar na Síria e a uma mudança de regime pela força", reiterou o porta-voz chinês do Ministério de Relações Exteriores, Liu Weimin, em entrevista coletiva.


Você sabia que o Jornal da Paraíba está no Facebook, Instagram, Youtube e Twitter? Siga-nos por lá. Encontrou algum erro? Entre em contato.