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Paraibano quase foi para a história por levar milésimo gol de Pelé

Time paulista estava em turnê pelo Nordeste em disputa da Taça de Prata, quando recebeu convite do Belo para jogo comemorativo de entrega da faixa de bicampeão paraibano.



Francisco França
Francisco França
"Garoto, é hoje o dia. Se cuide para não levar o gol"

Horácio Roque
Especial para o Jornal da Paraíba

Às vésperas da Copa do Mundo de 1990, já na Itália, o radialista João de Souza se aproximou de Pelé. Disse que era da Paraíba e antes que pudesse completar o raciocínio, o Rei emendou. “Da Paraíba? E como vai o velho Lula?”

Era seu Luís Marques quem estava no gol naquele Botafogo-PB e Santos no dia 14 de novembro de 1969, no Estádio Olímpico, que hoje é a Vila Olímpica Ronaldo Marinho. O time paulista estava em uma turnê pelo Nordeste em disputa da Taça de Prata, hoje o Campeonato Brasileiro, quando recebeu o convite do Belo para um jogo comemorativo de entrega da faixa de bicampeão paraibano.

O Santos era o time brasileiro mais forte naquele momento. Em seu elenco, tinha atletas que representavam a seleção brasileira, como o capitão Carlos Alberto Torres e, é claro, Pelé, que estava na corrida para marcar o milésimo gol de sua carreira.

Pela Taça de Prata, dois dias antes do confronto contra o Botafogo, o time paulista esteve no Recife para enfrentar o Santa Cruz. Aquele jogo terminou em 4 a 0 para o Santos. Pelé marcou dois gols, alcançando a marca de 998 no total.

Já o Botafogo estava em Fortaleza quando soube que seria enfaixado como campeão paraibano em um jogo comemorativo contra o Santos em cerca de seis dias. O Belo disputava um torneio contra times locais e teria pela frente ainda dois amistosos contra os times potiguares do Alecrim e do América antes de chegar a João Pessoa. O elenco só chegou mesmo à capital paraibana no dia anterior ao confronto contra o Santos.

“Estávamos participando de um quadrangular em Fortaleza quando soubemos que iríamos enfrentar o Santos pelo jogo das faixas. Foi uns seis dias antes. Um tempo razoável para nos prepararmos psicologicamente. Chegamos em João Pessoa na véspera e ficamos isolados no Hotel Globo, nem treinar, treinamos”, narrou Luís Marques.

Luís Marques, o Lula, vivia um momento inédito na sua vida. A possibilidade de que Pelé marcasse o gol de número mil o transformou em um alvo da imprensa e um motivo para assédio de diversos torcedores, que anseavam pelo milésimo gol na Paraíba. “Chegamos no começo da noite. Apesar da tentativa de isolamento, o assédio da imprensa era muito grande. Havia muitos jornalistas brasileiros assim como muitos de fora do país também”, disse.

No entanto, Lula lembra que para nenhum dos jogadores do Botafogo o jogo era considerado como uma festa. “A recomendação era para que ganhássemos do Santos, mas não havia possibilidade. Era impossível, eles tinham Pelé, Manel Maria, Tito, Edu, Carlos Alberto Tôrres, Lima e muitos outros atletas de nível de Seleção Brasileira. Era um time que sabia fazer gol desde sua origem, poderia até levar muitos gols, mas fazia muitos mais”, exaltou Lula.

O Estádio Olímpico teve os portões fechados no dia do jogo por volta das 18h, embora a partida só começasse às 20h. Isso porque o estádio estava completamente lotado e, por medidas de segurança, ninguém mais poderia entrar. Contudo, como o elenco do Santos havia ficado preso em uma solenidade que agraciou Pelé como ‘Cidadão Pessoense’, o jogo só foi iniciado por volta das 22h.

“Depois que entraram em campo, após a solenidade que antecedeu o jogo, os dois times se perfilaram para cumprimentarem uns aos outros. Antes de iniciarmos a partida, fomos cumprimentar cada um e quando eu e Pelé ficamos frente a frente, ele me disse: garoto, é hoje o dia. Se cuide para não levar o gol, porque hoje eu vou tentar fazer”, lembrou Lula.

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