Esportes

Abertura da Olimpíada repercute na imprensa internacional

Show de abertura, visto por 3 bilhões ao redor do mundo, gerou elogios e piadas na internet e boas críticas da imprensa.



A abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que ocorreu na noite desta sexta-feira (5), repercutiu nos veículos internacionais e na internet. A cerimônia, realizada no estádio do Maracanã com audiência global estimada em 3 bilhões de pessoas, focou na História do Brasil e na proteção ao meio ambiente e trouxe figuras como a modelo Gisele Bündchen e os cantores Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Paulinho da Viola foi um dos destaques do início da cerimônia, cantando o Hino Nacional Brasileiro. Já Gisele desfilou ao som de 'Garota de Ipanema'.

Um dos momentos que provocou mais reações nas redes sociais foi o sobrevoo de uma réplica do 14-Bis, de Santos Dumont, que passou pelos principais pontos turísticos do Rio de Janeiro.

A homenagem ao pai da aviação causou polêmica por causa de um comentário do jogador profissional de futebol Trevor Spangenberg americano no Twitter, afirmando que o primeiro voo registrado foi realizado nos Estados Unidos: "então o Brasil acha que eles inventaram o avião? Os irmãos Wright estão olhando para baixo agora mesmo e rindo". Os usuários brasileiros responderam à provocação com comentários como "quem é você na fila do pão?".

Os ciclistas que ladearam as delegações Olímpicas também foram comentados nas redes sociais. No Twitter, usuários falaram da irreverência e beleza dos voluntários e associaram as bicicletas às pedaladas fiscais, das quais foram acusadas a presidente afastada Dilma Rousseff. A presença da transexual Lea T na frente da delegação brasileira foi elogiada pelos internautas. 

Um outro momento que gerou comoção tanto no Maracanã quanto na internet foi a entrada da delegação formada por atletas refugiados. O grupo participa das competições de natação, atletismo e judô e é composto por  dois nadadores sírios, dois judocas congoleses, um maratonista etíope e cinco corredores sul-sudaneses.

Pira olímpica foi elogiada

O ex-tenista Gustavo Kuerten entrou com o fogo olímpico no Maracanã. Ele passou a tocha à  jogadora de basquete Hortência Marcari. A vencedora da medalha de prata com a seleção feminina em 1996 passou, por fim, a tocha ao ex-maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, que acendeu a pira. "Achei essa pira olímpica um show!", comentou uma internauta; "quero ver falarem mal dos estudantes de humanas agora que a pira olímpica foi feita de artesanato de miçanga", brincou outro.

Uma outra pira, chamada 'Pira do Povo', foi acesa nas proximidades da Igreja da Candelária pelo estudante Jorge Santos, de 14 anos, nascido no morro da Mangueira. O ato é simbólico e pretende ser um contraponto à chacina que ocorreu no local em 1993, quando policiais cariocas atiraram contra 70 jovens que dormiam nas ruas.

Imprensa internacional repercute

O jornal americano The Washington Post escreveu que a abertura teve um "orçamento apertado, mas alto astral", destacando que a abertura do Rio teve apenas um décimo dos recursos da cerimônia de Londres, em 2012. Já o The New York Times elogiou os organizadores por evitar "discursos higienizados da história" e trazer uma homenagem aos negros escravizados no país.

O argentino Clarín declarou que o Rio "vibrou" com a festa, memorável "por suas cores, por seus fogos de artifício, por sua música, por sua gente, pelo Cristo Redentor - aliás ao fundo como perfeito protetor, ícone universal de uma cidade na qual cabem vários mundos". Já o britânico The Guardian classificou a cerimônia como "um pouco confusa, mas inegavelmente contagiosa", acrescentando que a abertura serviu como "uma lembrança que, apesar de todo o acúmulo de escândalos de corrupção e ambição, ainda há algo puro a ser exaltado no coração [do país]".