Economia e Negócios

Preço do etanol pode reduzir flex

Preço do etanol não favorece o consumo do combustível na Paraíba, apesar do Estado  ter a terceira maior produção do Nordeste.



Francisco França
Francisco França
Consumo da gasolina que era nove vezes maior do que o etanol, subiu 13,1 vezes mais em 2012

Mesmo que a Paraíba tenha a terceira maior produção do Nordeste do etanol com 380 milhões de litros por ano, o preço do combustível não cai na bomba. Pior, o governo elevou o preço da gasolina nas distribuidoras, mas foi o preço do etanol que subiu (vendido a R$ 2,29), enquanto o da gasolina anda com tendência de baixa na capital (vendida a R$ 2,49). Com tanto apelo financeiro, o consumo da gasolina foi 13,1 vezes maior do que o etanol em 2012 – no ano anterior era nove vezes maior.

Para o presidente regional da Federação Nacional da Distribuição de Veículos
Automotores (Fenabrave), Paulo Guedes, a procura por um combustível em detrimento ao outro pode motivar uma redução de investimentos nas montadoras para veículos do tipo flex. “Não quer dizer que eles vão deixar de existir, mas serão produzidos em menor escala dentro da indústria”, explicou.

A produção precisa acompanhar a demanda e os carros a diesel podem ser uma alternativa mais atraente para o consumidor. “Na Europa, todos os tipos de carro são a diesel, mas no Brasil a legislação é mais rigorosa e as opções são menos sortidas. Por outro lado, seria uma alternativa para baratear os custos para o consumidor”.

O Brasil produz 24 bilhões de litros de etanol por ano, mas o país se destaca mesmo é na produção de açúcar, na qual é o maior produtor mundial. Por isso que, além de interferir nesta procura pelo carro flex e, possivelmente alterar a oferta de veículos desse tipo, o ex-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, afirmou que a redução da demanda do etanol pode mudar os objetivos das usinas do setor sucroalcooleiro no país.

Por um lado, segundo ele, elas podem dar prioridade à oferta de etanol anidro (que mistura a gasolina) em detrimento do hidratado (que é usado na bomba). Por outro, conforme acrescentou o presidente da Fenabrave, os usineiros podem apostar mais fichas na produção do açúcar, um commoditie mais que vem demonstrando mais retorno neste contexto.

LITRO MAIS CARO
Mas porque o preço do etanol subiu tanto nos últimos anos? Conforme o presidente do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado da Paraíba (Sindalcool-PB), Edmundo Barbosa, ao sair da usina incide 25% de ICMS sobre o preço do litro do etanol, depois aproximadamente 30 centavos de margem de lucro das distribuidoras e depois mais 15 centavos de margem dos postos.

Após todos estes incrementos, chegamos ao preço do litro que o consumidor paraibano confere na bomba. Hoje, este valor chega a R$ 2,29, mas há pouco mais de quatro anos, era possível encontrar o litro do etanol a R$ 1,48 na capital paraibana (alta de 54,7%).

Sobre o assunto, Edmundo Barbosa justifica que a alta nos custos de produção e as intempéries climáticas contribuíram para o aumento. “Os custos da produção crescerem, a folha de pagamento pesa mais do que antes e tivemos decréscimo de produtividade”, comentou.

GASOLINA É PREFERIDA, DIZ SINDALCOOL

De acordo com o presidente do Sindalcool-PB, Edmundo Barbosa, as tributações que incidem sobre os preços dos combustíveis (etanol e gasolina) são semelhantes, no entanto a gasolina é mais ‘queridinha’ do Governo Federal e tem outras regalias.

Ele explicou que parte do preço da gasolina que é importada pelo Brasil é subsidiada pela União. Ou seja, há um incentivo federal para a aquisição do produto por um preço mais atrativo, mas com relação ao etanol, segundo ele, isto não acontece.

“O Brasil prefere pagar 30 ou 40 centavos no litro da gasolina, enquanto as distribuidoras não têm incentivos para vender o etanol. No país, não existem políticas públicas estratégicas neste sentido e o investidor não sabe ainda qual é o posicionamento do Governo Federal sobre o etanol, mas sabe que apoia a gasolina, portanto este último se torna um investimento mais seguro”, afirmou.

Para mudar este cenário, o setor espera contar com uma mudança de postura do Governo Federal. “Estamos aguardando uma postura diferente da presidente Dilma Rousseff sobre o etanol. Além disso, quando a gasolina deixar de ser subsidiada pelo Governo Federal e passar a ser comercializada pelo patamar internacional, teremos um etanol financeiramente mais competitivo”, concluiu.

MINISTÉRIO DA FAZENDA
A assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda foi procurada por esta reportagem para comentar o assunto, mas não se posicionou até o fechamento desta edição. Em resposta ao JORNAL DA PARAÍBA, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) informou que “não comenta, não avalia, não projeta, não estima preços, nem os pagos na usina, nem os que serão praticados na bomba, para o consumidor, por entender que o mesmo é formado por uma cadeia produtiva, onde na ponta estão as usinas, depois os fornecedores e por fim os distribuidores”.

Segundo a assessoria, “os preços neste setor não são estabelecidos pelo governo, como no caso da gasolina, são definidos pelas forças de mercado e tem vários participantes da cadeia – ou seja, não são definidos no portãoda Usina."

 


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