Economia e Negócios

Novos empreendedores precisam entender ciclo do negócio e 'separar dinheiro'

Dicas são do economista Agostinho Rocha Sant’Ana, que esteve em João Pessoa.




(Foto: Juliana Santos/Secom_JP)

Estudar e planejar são indispensáveis para quem quer ter sucesso em um novo negócio (Foto: Juliana Santos/Secom_JP)

Entender o ciclo operacional do negócio, não misturar o dinheiro da empresa com o dinheiro pessoal e aprender a lidar bem com o recurso humano. O que pode parecer conselho para ‘gente grande’ no mundo dos negócios deve ser parte da rotina de quem está começando seu pequeno negócio, segundo o economista Agostinho Rocha Sant’Ana. Segundo ele, estes três pontos são vitais para reduzir as chances de fracasso.

Agostinho é professor associado da Fundação Dom Cabral e está em João Pessoa para um evento que termina nesta quarta-feira (19). Especialista em Finanças Empresariais e Estatística, é também pesquisador de temas como performance corporativa para geração de valor. Segundo ele, não considerar estes três aspectos são os erros mais comuns e ‘fatais’ na fase embrionária de novos negócios.

A solução de todos eles passa pela formação permanente, que contribui para identificar fragilidades do negócio e também as ‘pedras’ que podem surgir no caminho. Segundo Agostinho, “um erro de gestão hoje é mais difícil de compensar” e, por isso, o conhecimento e uso de técnicas e ferramentas modernas de gestão são indispensáveis. “É importante buscar instrumentos de apoio que ajudam a dar estrutura para o negócio, que sejam compatíveis com a estrutura da empresa”, orienta.

Plano de negócio

O primeiro ponto destacado por Agostinho é entender o funcionamento da empresa. “Montar uma empresa não é a grande dificuldade: você busca um especialista e ele monta tudo que precisa, o maquinário, o aporte… O grande desafio é entender o funcionamento, o ciclo operacional do negócio”, alerta. Segundo ele, muita gente ‘se aventura’ sem ter experiência e acaba perdendo dinheiro. “Se [o empreendedor] tem reserva grande que possa perder e depois recuperar, tudo bem. Se não, vai acabar morrendo”.

Para evitar essa situação, a resposta é objetiva: um plano de negócios bem feito, com previsão de alocação de recursos, resultados esperados, mercado em que vai atuar e, inclusive, “‘onde você é competente e onde não é”. Para aquilo que está fora das habilidades, o empreendedor precisa se cercar de colaboradores que compensem as deficiências.

Entra em cena a gestão do recurso humano da nova empresa, outro ponto de destaque apontado pelo professor como vital para a saúde do negócio, aspecto que Agostinho observa que muitas vezes fica esquecido. Segundo ele, empresas que não estejam atentas ao clima organizacional, ao bom preparo dos colaboradores e ao bom relacionamento na equipe dificilmente vão conseguir sobreviver.

Dinheiro pessoal, dinheiro da empresa

Separar as finanças do negócio das finanças pessoais é imperativo para quem não quer afundar, lembra Agostinho, especialmente para quem precisa contar com capital de terceiros ou que não tem um valor alto próprio para investir. Esse comportamento pode acabar fazendo o empreendedor consumir a reserva gerada nos tempos de ‘vacas gordas’ e ficando sem previsão quando chegarem as ‘vacas magras’.

“Muita gente torna a empresa uma financiadora de tudo que quer fazer. Quando a empresa é muito nova, não tem condição de bancar tudo aquilo que se espera. [O empreendedor] começa a exigir da empresa algo que ela não é capaz de dar”, observa o professor.


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