Economia e Negócios

BR-230 movimenta economia da Paraíba de Leste a Oeste

Segundo a Famup, mais de 90% das 223 prefeituras paraibanas dependem quase exclusivamente de transferências governamentais para administrar o município.




Jean Gregório
Do Jornal da Paraíba
 
Pelo menos 10% dos municípios paraibanos atraem dinheiro novo diariamente. Os recursos não vêm das transferências governamentais, como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), principal fonte de receita de mais de 200 municípios, tampouco dos programas sociais como o Bolsa Família, mas do intenso tráfego de veículos da BR-230, que corta o Estado de Leste a Oeste, gerando desenvolvimento, divisas e centenas de oportunidades de negócios, instalados às margens dos 522 quilômetros da maior rodovia federal no Estado. “Além de integrar o Litoral ao Sertão, a BR-230 é responsável por escoar a produção dos hortifrutis, dos grãos e minérios e do transporte dos produtos industrializados.
 
Já as outras rodovias do Estado também ganham acesso aos principais centros econômicos da Paraíba quando se bifurcam na 230, enfim, ela é a espinha dorsal do Estado e um dos orgulhos dos paraibanos, pois Cabedelo é o quilômetro zero da rodovia transamazônica, como é mais conhecida nacionalmente a BR-230“, revela o superintendente em exercício do DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes) na Paraíba, Gustavo Adolfo ao afirmar que “regiões e cidades sumiriam do mapa do Estado sem a sua passagem ou construção”, completa.
 
Segundo a Famup (Federação das Associações de Municípios da Paraíba), mais de 90% das 223 prefeituras paraibanas dependem quase exclusivamente de transferências governamentais para administrar o município, sendo o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), a única fonte de recurso, ao lado do pagamento das aposentadorias do INSS e dos beneficiados do Bolsa Família.
 
As margens da BR-230, desejada por mais de 90% dos municípios paraibanos devido à fonte de renda e ampla visibilidade, concentram ainda boa parte do Produto Interno Bruto (PIB) da Paraíba na Grande João Pessoa onde estão instaladas indústrias como São Braz e Alpargatas, lojas de departamentos como os hipermercados multinacionais Carrefour e Bompreço, além de centros atacadistas e de distribuição e de marcas importantes de concessionárias de veículos.
 
Entretanto, as margens da BR-230 contemplam também centenas de pequenos negócios informais e outras dezenas de formais que ganham vida econômica devido ao fluxo de veículos. Esses microempreendedores paraibanos ganham a vida diariamente vendendo frutas da estação, cerâmicas, redes, minérios, castanha de caju e até mesmo lixo, sem falar na série de atividades econômicas de prestação de serviços oferecidos em plena rodovia, que passam pelas tradicionais borracharias, postos de combustíveis, restaurantes e até mototaxistas.
 
Na duplicação da BR entre João Pessoa e Campina Grande, por exemplo, onde concentra-se um intenso fluxo de veículos, as frutas da estação ganham destaque nas barracas improvisadas e multicoloridas. São nelas, por exemplo, que muitos trabalhadores têm o ganha-pão diário como é o caso do vendedor José Carlos Plácido, 18 anos, que ganha R$ 150 por mês na venda de manga, abacaxi, coco e inhame no quilômetro 68 da rodovia, na comunidade de Maruá, no território do município de Sobrado.
 
José Plácido conta que mesmo os carros passando em alta velocidade na rodovia, muitos não resistem e acabam parando para comprar frutas na pequena barraca. “Apesar de alguns reclamarem do preço, chego a vender uns R$ 100 de fruta por dia, principalmente quando o movimento é mais forte de carros como é o caso dos meses de dezembro e janeiro”, relata Plácido que parou de estudar quando cursava a 8ª série do ensino fundamental.
 
Este ano ele planeja volta à sala de aula, mas também sonha em trabalhar com o pai na construção civil em João Pessoa. “Quero trabalhar na capital, mas continuar morando em Sobrado. Aqui a vida é mais tranquila”, comenta o vendedor. A capital fica a 50 quilômetros de distância do local.
 
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