Cultura

Zé Ramalho completa 70 anos 'revirando' a própria obra

Cantor paraibano lança registro inédito de show do lançamento do 2º disco da carreira.




Show do disco foi captado em dezembro de 1979 (Foto: Divulgação)

O cantor Zé Ramalho completa 70 anos nesta quinta-feira (3). Para comemorar a data, o paraibano de Brejo do Cruz, lança um álbum com o registro ao vivo de um show turnê de lançamento de ‘A peleja do diabo com o dono do Céu’, segundo disco da carreira do cantor. Sem lançar disco com canções inéditas há sete anos, Zé Ramalho tem ‘revirado’ a obra que construiu durante mais de quatro décadas.

O disco ‘Cine Show Madureira (1979)’ que chega às plataformas digitais nesta quinta (escute o disco abaixo), e que também vai ser lançado em CD, é um registro inédito do lançamento de ‘A peleja do diabo com o dono do Céu’. O álbum estreou nos palcos em São Paulo, no segundo semestre de 1979, mas a gravação que integra o ‘novo’ álbum foi captada em dezembro daquele ano no Rio de Janeiro, no local que dá nome ao trabalho. A gravação que gerou o disco é do acervo pessoal de Zé Ramalho.

>>[Sílvio Osias] Zé Ramalho, o cara de ‘Avôhai’ e ‘Admirável Gado Novo’, faz 70 anos

Experiência em revisitas

Esse não é a primeira vez que Zé Ramalho abre os arquivos do começo da carreira. Em 2017, houve um lançamento similar só que referente ao primeiro álbum do cantor. O Selo Discobertas foi responsável pelo box ‘Zé Ramalho Anos 70’. A caixa contém três discos, um com demos e dois de registros de lançamento do trabalho de estreia, que tem o nome do cantor, mas ficou conhecido como ‘Avôhai’, por conter a clássica música.

Pode-se dizer que o lançamento desta quinta é o segundo envolvendo ‘A peleja do diabo com o dono do Céu’ em 2019. No mês de julho o disco ganhou uma releitura feita por outros artistas, em sua maioria da cena independente. O álbum conta inclusive com a participação da banda paraibana ‘Prima Facie’, que é da ‘segunda geração’ de Zé Ramalho, pois foi fundada por filhos do cantor. O grupo já havia marcado presença na releitura do primeiro disco, lançada em 2018.

(Foto: Rafael Passos/Divulgação)

Sete anos sem disco de inéditas

O último álbum lançado por  Zé Ramalho foi o álbum ao vivo (CD e DVD) ‘Zé Ramalho na Paraíba’, que saiu em 2018. Uma coletânea no melhor sentido da palavra, com os principais sucessos da carreira do paraibano. A gravação foi captada no Teatro A Pedra do Reino, mesmo local onde ele fez um concerto com a Orquestra Sinfônica que deveria virar um DVD, mas não foi lançado oficialmente.

Falando de registro de inéditas, Zé não lança disco há sete anos. ‘Sinais dos Tempos’, de 2012, foi o último álbum do paraibano. Depois dele e antes do DVD do ano passado, o paraibano lançou um álbum em parceria com Raimundo Fagner. No disco, mais um ao vivo, eles relembram juntos sucessos das duas carreiras.

No entanto, esse intervalo pode estar perto de acabar. Em maio, o músico Robertinho do Recife revelou que tem um disco de rock gravado em parceria com Zé. A revelação foi feita após o lançamento de ‘Sr.Ozzy, versão em português de ‘Mr. Crowley’, sucesso de Ozzy Osbourne.

Só que Robertinho disse que não sabe se o disco vai de fato ser lançado. Em entrevista, o músico disse que eles têm 12 faixas gravadas, mas ressaltou que elas podem sair apenas como singles. O que de fato tem acontecido.

Depois de ‘Mr.Ozzy’ eles divulgaram ‘Portal das Entidades’ e ainda regravações de ‘Seja o Meu Céu’ e de ‘Os doze trabalhos de Hércules’. Todos têm em comum a pegada metaleira.

A volta do disco mais raro

Além do duplo ‘relançamento’ de ‘A peleja do diabo com o dono do Céu’ , 2019 também trouxe de volta um outro trabalho de Zé Ramalho: ‘Paêbirú – Caminho da Montanha do Sol’ . Considerado por muito tempo o disco mais raro da música brasileira, a icônica obra gravada em parceria com Lula Côrtes foi relançada nas plataformas digitais e também no formato de LP duplo.

No entanto, Zé não teve participação neste relançamento, feito pela gravadora Polysom. A digitalização foi feita pelo estúdio Somax,que há alguns vem trabalhando os arquivos da antiga gravadora pernambucana Rozemblit nas plataformas digitais. Zé evita falar sobre o álbum.

A jornalista Chris Fuscaldo, biógrafa do paraibano, disse, em entrevista na época do relançamento, que ele não fala porque quando precisou de divulgação, nos anos 1970, ninguém da imprensa falou do disco.


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