Cultura

'O Grinch': animação de Natal deve entreter público infantil

Filme sofre, entretanto, com falta de ambição e enredo superficial.




O Grinch adapta a história de Dr. Seuss corretamente, mas não se arrisca e segue fórmula já estabelecida.

RESENHA DA REDAÇÃOO GRINCH (EUA, 2018, 86 min.)
Direção: Scott Mosier, Yarrow Cheney
Elenco: Benedict Cumberbatch, Cameron Seely
★★★☆☆

 

Existem filmes que já são conhecidos como clássicos indispensáveis do Natal – Esqueceram de mim, O estranho mundo de Jack e O Grinch (o de 2000) são exemplos de filmes imediatamente associados às festas de fim de ano, vistos despretensiosamente em meio a conversas e distrações. A animação O Grinch (The Grinch, 2018), que estreia nos cinemas da Paraíba nesta quinta-feira (8), vai encantar as crianças menores, mas deve ficar fora da lista de filmes-de-Natal-memoráveis.

A história já é conhecida de todos: baseada no conto de Dr. Seuss, acompanha o Grinch (Benedict Cumberbatch), uma figura eremítica que vive nos arredores da vila de Quemlândia, onde vivem seres simpáticos e incrivelmente felizes e de bem com a vida conhecidos como ‘Quems’. Sempre de mau humor com essa felicidade toda (em certos dias, é compreensível), o Grinch fica especialmente amargurado durante o período natalino e, em conjunto com seu cachorro Max, elabora um plano para destruir as festas dos moradores de Quemlândia.

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Ao contrário do filme de 2000, estrelado por Jim Carrey, que possuía um público-alvo mais adulto, O Grinch de 2018 mira especificamente o público infantil. Claro que jovens e adultos podem apreciar o filme, mas é difícil alcançar um nível de envolvimento e profundidade de animações como Viva – a vida é uma festa, Divertidamente ou até mesmo Meu malvado favorito, por exemplo – o curta que é exibido antes do filme, que acompanha dois minions fugindo de uma prisão (O Grinch é da mesma produtora de Meu malvado favorito, a Illumination), deve chamar mais a atenção dos pais do que o próprio longa.

o grinch

Cena de O Grinch.

O público infantil, assim, deve ficar entretido com os belos cenários e músicas natalinas, as personagens cativantes (especialmente o cãozinho Max, que rouba a cena durante toda a exibição e é responsável pelos momentos mais engraçados) e a trama simples e objetiva na qual o Grinch passa por uma jornada de redenção, partindo da raiva que ele nutre pelos sentimentos de comunhão e de gentileza à compreensão de que, em grupo e em família, a vida é sempre melhor aproveitada do que isoladamente; uma mensagem apropriada para o seu público-alvo e para o período natalino.

Mas, apesar de bem executado e de conter certa mágica que deve preencher as crianças e resvalar nos adultos, O Grinch se contenta apenas em apresentar mais do mesmo e sofre com falta de originalidade. Havia espaço, aqui, para aprofundar as motivações que alimentaram a solidão do protagonista ao longo dos anos; ou para explorar a relação entre o Grinch e a criança que finalmente toca o seu diminuto coração, Cindy Lou Quem (Cameron Seely). É tudo direto e superficial demais e, embora isso seja compreensível considerando o óbvio direcionamento de público, é impossível não sair da sessão com a impressão de que algo ficou faltando; nem que fosse um apelo emocional maior.

Para quem está procurando uma diversão leve para as crianças neste fim de ano, O Grinch é a pedida certa. Mas não espere revê-lo novamente nos próximos dois, três ou dez Natais: é melhor ir procurando aquele DVD antigo de Esqueceram de mim enquanto é tempo.


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