Cultura

Programação do Arraiá de Cumpade tem espaço reservado para religiosidade

Casa da Rezadeira e capelinha da Divina Vila trazem o folclore do sertanejo.




Imagens da edição 2017 do Arraiá de Cumpade

Durante o mês de junho, acontece a oitava edição do Arraiá de Cumpade. Neste ano, Alceu Valença, Santanna, Ton Oliveira, Sirano & Sirino, Fulô de Mandacaru e Eliane integram a programação musical. Além disso, o Arraiá tem um espaço reservado para a tradição religiosa. Segundo o criador da parte cultural do evento, João Barreto, as rezadeiras tinham um papel muito importante no sertão do estado. “Elas curavam com o poder das plantas medicinais e sua fé”.

As rezadeiras cuidavam dos cidadãos com sua medicina alternativa nos lugares mais distantes da capital e dos grandes centros, como o Sertão da Paraíba. “As pessoas recorriam a este tipo de tratamento pela carência de dinheiro e pela falta de condições para levar o doente para os grandes centros onde existia a medicina tradicional”, explicou Barreto. Já que faltava acesso, este tipo de medicina alternativa estava sempre presente na casa dos sertanejos.

Procissão do Arraiá de Cumpade 2017

Festa da Colheita

Além das rezadeiras, a religiosidade é forte neste período porque é o mês em que se comemora os dias de Santo Antônio, São João e São Pedro. Este último responsável pelas chuvas, como diz a tradição. Isso significa que, apesar de ser uma festa de grande religiosidade, é uma festa que comemora a colheita. João explica que junho é tradicionalmente um época de festa porque chovia e garantia a fartura. “Era uma época em que as pessoas até marcavam casamentos, porque com fartura os porcos tinham como engordar, tinha colheita de milho, jerimum e maxixe, por exemplo”, disse.

Casa da Rezadeira

Já que é um tradição do folclore paraibano, as rezadeiras e toda a religiosidade presente nas comemorações juninas têm espaço garantido no Arraiá de Cumpade, com a Casa da Rezadeira e a Capelinha da Divina Vila. “estão presentes para trazer este folclore autêntico. Junto com as rezadeiras, tem o brilho e a magia das apresentações de danças religiosas, como os ternos da paraíba, que era dançada em agosto em Santa Luzia”.

Dona Aurinha, uma agricultora de 70 anos, é a rezadeira responsável pela Casa da Rezadeira. “Ela passa o sincretismo religioso para as pessoas que entram na Casa das Rezadeiras”, contou João Barreto. Lá, ela passa as rezas contra olhado, engasgo, espinhela caída, dores e outras mais.


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